O conceito de família no século XXI

Enviada em 11/05/2019

“O resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Dita pela escritora Hellen Keller, essa filosofia justifica, plenamente, a dificuldade das pessoas do século XXI de aceitarem e entenderem a existência de famílias fora do padrão (não formadas por um homem, uma mulher e filhos). Essas enfrentam, diariamente, obstáculos que as impedem de terem uma vida normal, como o preconceito, a indiferença e a falta de informações por parte da sociedade.

É interessante citar, a princípio, o pensamento do físico Albert Einstein, de que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Esse pressuposto evidencia a resistência humana em abrir mão de seus paradigmas, como aquele que defende a soberania da família tradicional. A exemplo disso, um estudo realizado pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), aponta que 55% dos cidadãos do Brasil declaram-se contra a união entre indivíduos do mesmo sexo, e 51% deles não aceitam que os mesmos adotem crianças.

Outrossim, o conceito de família é pouco discutido na esfera política, escolar e social, o que corrobora com a perpetuação dos impasses relacionados aos vários tipos de grupos familiares. Essa insignificância da comunidade referente à homoafetividade pode ser notada, com facilidade, no predomínio da família padrão em filmes e telenovelas. Diversas marcas famosas, como a Qualy (marca de margarina), por exemplo, retratam a família classificada como correta em suas propagandas, seja por puro preconceito, seja pelo medo em expôr a diversidade familiar aos espectadores, uma vez que o tema é um tabu no meio social.

Ademais, a falta de exposição dos novos laços afetivos na mídia, contribui para o desconhecimento social perante os mesmos, fato este que retarda a consumação e reconhecimento dos direitos do referido público. Devido a isso, os termos que configuram tais laços, como família anaparental, monoparental, homoafetiva e núcleo adotivo, encontram-se pouco conhecidos pelo povo. Desse modo, explica-se a surpresa e o estranhamento da população diante do primeiro beijo gay na televisão brasileira, em 2013, na novela “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco.

Dado o exposto, entende-se que a ignorância das pessoas sobre os novos arranjos familiares, é responsável pelos inúmeros viéses em questão. Com o fito de extingui-los, o Ministério da Família e as emissoras de TV, devem, em consorte, sensibilizar o meio sobre a problemática, mediante campanhas e representatividade das famílias nas programações televisivas. Além disso, é preciso que as pessoas se eduquem sobre o referido tema, não somente para fazer jus à ideia de Hellen Keller, mas também para introduzir o respeito e a tolerância no cenário social.