O conceito de família no século XXI
Enviada em 21/09/2019
O filme infantil “Ursinho Pooh”, produzido pela Walt Disney, mostra a história de união de um tigre, um leitão, uma coruja e um homem. Ainda que sejam espécies diferentes e incompatíveis, formam entre si uma família, cheia de carinho, conexão e proteção. Fora da ficção, a sociedade, assim como no filme supracitado, está quebrando paradigmas quanto às bases pré-definidas de estrutura familiar, à medida que as possibilidades para formar um lar foram ampliadas e adaptadas à diversas realidades. Sob esse viés, hodiernamente, essas mudanças são reprimidas pela limitação no significado de família e, também, a constância de ideias antiquadas, sendo esses, óbices que ainda sobressaem no século XXI.
Em primeira análise, vale ressaltar que família não é a junção entre um homem e uma mulher. Visto que vai além das relações afetivas, é amor, união e proteção. Desse modo, sua validez não se restringe à opção sexual, uniões estáveis ou casamentos. Assim sendo, é estendida a relacionamentos anteriormente julgados ruins e “exóticos”, como casais homossexuais, pais solteiros e outras diversidades. Análogo a isso, é o pensamento do cientista Albert Einsten, o qual fala que com o amor se conquista o mundo. Logo, não é necessário limitar esse sentimento para atender as bases da sociedade que preferem seguir um padrão, a concordar que esse, é o componente principal para formar uma verdadeira estrutura familiar e “conquistar” um mundo repleto de respeito às diferenças.
Outrossim, a permanência dos pensamentos patriarcais, conserva o preconceito e limita o direito de liberdade de escolha. De modo que as formações familiares consideradas “exóticas”, são tipificadas como “erradas” e inferiores a união heterossexual. Diante disso, consoante apresentado pelo sociólogo Howard Becker, na sua “Teoria da Rotulação”, a sociedade é formada por vários padrões e aqueles que “fogem” aos estereótipos são categorizados com atributos negativos e pejorativos. Com isso, devido a essas restrições sociais e preconceito enraizado, os grupos “errados”, são coersidos a sentirem-se incapazes de formar um lar e, por isso, muitas vezes, desistem do sonho de formar uma família.
Diante do exposto, é mister ações que modifiquem o atual cenário de preconceito e proibições. Portanto, urge que os governos estaduais com apoio do Ministério da Cultura, realizem palestras nas praças públicas das cidades, por meio de profissionais que incentivem o fim das ideias antiquadas e o início de uma era da diversidade, para que assim, o preconceito enraizado cesse e todo tipo de amor seja aceito na sociedade contemporânea. Ademais, cabe a mídia, com seu poder de persuasão, disseminar sobre os vários “formatos” de uma família, por intermédio de propagandas e comerciais, objetivando espalhar respeito e conhecimento. A fim de que semelhante ao filme “Ursinho Pooh”, família possa ser de qualquer gênero ou tipo, sendo o seu conceito baseado essencialmente no amor.