O conceito de família no século XXI
Enviada em 02/08/2019
As obras literárias “A moreninha” - Joaquim Manuel de Macedo - e “A Senhora” - José de Alencar - são dois opostos do período romântico brasileiro, enquanto o primeiro idealizava o casamento e a família, o segundo expõe a hipocrisia desse tipo de relação, usada na época como meio de ascensão social. Esse paradoxo fez a sociedade repensar o significado do verbete “família” e as suas implicações na sociedade. Mas somente dois séculos depois, o conceito de família foi redefinido, com novas configurações advindas da modernidade, a saber o estabelecimento de direitos aos homossexuais e a mudança do papel social da mulher, os quais integram uma parcela da atual ideia de família contemporânea.
A priori, com o advento da modernidade, novas configurações familiares apareceram, a saber, as monoparentais - somente um dos pais -, as anaparentais - irmãos sem os pais -, reconstruída - junção de filhos de casamentos anteriores em nova família -, homoafetiva, entre outros. Esses arranjos fizeram com que novos direitos fossem garantidos, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2013, e a permissão para adoção concedida a esses casais. Portanto, os novos modelos de ajuntamentos familiares são reconhecidos judicialmente, e é dever do Estado conceder visibilidade e assistência a esses grupos. Por outro lado, o número de casamentos, no geral, tem decaído e o índice de divórcio aumentou, segundo dados do IBGE.
Em partes, essa nova realidade é associada a nova flexibilização de leis que facilitam a separação conjugal, e aos adeptos da teoria de Max Weber, que configurava o casamento apenas como uma ação social ligada à tradição, e por esse motivo, algo desatualizado. Outrossim, o conceito de família nuclear, na qual um homem é a autoridade máxima do lar, está sendo reformulado. Segundo o Censo de 2010, o número de famílias chefiadas por mulheres obteve um aumento significativo, em 2015 a porcentagem era de 37,3% do total. Ademais, o número de filhos por mulher diminuiu de 6,2 em 1980 para 1,7 em 2018. Essa nova realidade está associada às conquistas que o movimento feminista obteve na reformulação do papel da mulher na sociedade, garantindo direitos e possibilidades antes restritos.
É imprescindível, portanto, a atuação do governo federal, com o apoio do Ministério da Educação, na educação básica, para que seja ensinado a respeitar os diferentes tipos de família existentes no território nacional, por meio de palestras e atividades lúdicas. Ademais, é necessário que a mídia atue na divulgação dos direitos das minorias sociais, com propagandas que retratem o dia a dia de uma “família não tradicional”, com o objetivo de trazer visibilidade e reconhecimento a esses diferentes arranjos familiares, e assim como a literatura brasileira, desmistificar conceitos ultrapassados.