O conceito de família no século XXI

Enviada em 18/07/2019

Adão e Eva são, de acordo com as tradições judaico-cristã e islâmica, os primeiros seres humanos da história, criados diretamente por Deus. Os dois formaram uma família, a primeira do mundo e, mais do que isso, aquela que serviria de modelo para seus descendentes - um padrão social errôneo construído a partir dos ensinamentos de tais livros sagrados. Na bíblia já se deixa claro: ‘‘Deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.’’ (gênesis 2:24). Tal citação induz os indivíduos a obrigatoriamente se casarem e a sempre selecionarem um cônjuge do gênero oposto. Fica claro que a causa do padrão da estrutura familiar brasileira está na influência da religião no passado do país.

O peso do poder da Igreja Católica no Brasil durante a sua história pode ser sentido até os dias atuais. O domínio por ela exercido, desde o contato entre jesuítas e indígenas em 1500 até a separação entre Igreja e Estado em 1890, fez com que o país tivesse hoje o maior número de católicos do mundo: 170 milhões de pessoas, que foram ensinadas que apenas a união entre um homem e uma mulher é a correta.

Essa realidade gera um ciclo de intolerância à diversidade. As organizações familiares têm mudado drasticamente nos últimos séculos e a construção de um modelo socialmente aceito oprime a liberdade do indivíduo na formação de sua família, que pode ser composta de núcleos com ou sem filhos, adotados ou não, de casais homoafetivos ou hetoroafetivos, de mães e pais solteiros, casados divorciados ou poliamorosos, ou organização mosaico. Essas estruturas nunca deixaram de existir e não se extinguirão agora, já que o mais importante não deve ser a obediência de uma norma religiosa, mas sim o amor a felicidade e o bem-estar de cada um, não é à toa que o tema de 2018 da parada LGBT de São Paulo, a maior do mundo, foi a defesa do Estado laico, não apenas politicamente, mas também culturalmente.

Diante disso, é possível compreender que, para reverter ao máximo esse preconceito, é preciso que a população se conscientize das novas instituições familiares e que seja ensinado o respeito a elas. Primeiramente, o Poder Legislativo brasileiro deve assegurar que a Constituição reconheça todas as formas de matrimônio e garanta a elas os seus direitos fundamentais, sendo plenamente laico durante tal processo. Também são necessárias campanhas de incentivo governamental que busque destacar a diversidade nas relações familiares e a afetividade como fator comum a todos, por meio de anúncios televisivos, nos meios informacionais e nas redes sociais. Por último, escolas e pais devem ensinar às novas gerações que a família não remete a quem ou quantos, mas sim à união e o amor.