O conceito de família no século XXI

Enviada em 26/08/2019

A imposição de padrões rígidos de certo e errado e buscar por verdades absolutas impedem que parte da sociedade conviva com as diferenças. Essa visão etnocêntrica resulta em uma pretensa superioridade capaz de causar exclusão social, ou até mesmo agressões físicas, como no caso da violência contra casais homossexuais. Essa problemática ocorre devido ao precário sistema educacional brasileiro, pautado na competitividade, como também ao posicionamento do Estado diante desse infortúnio.

A princípio, nota-se que a educação no Brasil é conteudista, nesse sentido, mecanizada. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam seguindo padrões culturais impostos desde a colonização do país, assim, muitos brasileiros segregam núcleos familiares que se distanciam do modelo tradicional.

Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante  para o aumento do preconceito sofrido pelos núcleos sociais contemporâneos, pois apesar de haver na Constituição Federal, de 1988, o direito à liberdade, no ano de 2015 foi discutido um projeto de lei referente ao Estatuto da Família na câmara dos deputados, no qual o legislador taxa um modelo familiar que será reconhecido juridicamente. Por conseguinte, haverá uma segregação social das demais formações. Esse fato, nessa perspectiva, corrobora  para o aumento da exclusão de casais homoafetivos.

Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a segregação sofrida pelas novas formações familiares. Para isso, o Ministério da Educação deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais, nos ensinos infantil e médio, como a semana do respeito às diferenças, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre a importância da  aceitação da diversificação familiar para a manutenção da democracia de uma nação, acabando, dessa forma, com a exclusão social de núcleos sociais diferentes do padrão patriarcal, por exemplo.