O conceito de família no século XXI

Enviada em 02/10/2019

A série “The fosters” retrata a vida de uma família que se distingue da formação nuclear padrão: mãe, pai e filhos. Na trama, por terem um grupo familiar composto por duas mães e filhos adotivos, eles enfrentam inúmeras dificuldades frente a uma sociedade conservadora. Fora da ficção, as famílias modernas do século XXI, infelizmente, vivenciam a mesma realidade proposta pela obra cinematográfica, devido ao descaso governamental em assegurar a dignidade de vida dos cidadãos e a falhas educacionais que não preparam a sociedade para lidar com o diferente.

A princípio, é fundamental analisar a invisibilização dos novos núcleos familiares como uma chaga constitucional. Nesse prisma, de acordo com a Carta Magna, todos devem ser iguais perante a lei, sem nenhum tipo de distinção. Entretanto, pensamentos ainda considerados conservadores torneiam a sociedade hodierna, inferiorizando e marginalizando qualquer núcleo familiar que se diferencie do padrão. Nessa lógica, esse viés retrogrado é comprovado devido ao projeto de criação do Estatuto da Família, o qual reconhece como família os núcleos sociais formados pela união de um homem com uma mulher. Assim, deslegitimando qualquer outro tipo de configuração familiar, se mostrando como um ato anticonstitucional.

Ademais, ainda é válido ressaltar, para além das lacunas constitucionais, as falhas educacionais que fazem a manutenção dessa intolerância. Com isso, segundo o pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire, a educação tem como principal dever formar um ser capaz de conviver com o meio social. No entanto, a educação brasileira é focada apenas em cumprir a carga horária curricular, deixando de lado a formação social de seus alunos, assim, diplomando indivíduos carentes da capacidade crítica, fomentando a intolerância. Dessa forma, contrariando o pensamento da escritora Helen Keller, a qual reafirma que o fruto mais sublime da educação é o respeito.

Infere-se, portanto, que os novos modelos familiares hodiernos ainda enfrentam alguns empecilhos sociais, assim sendo necessário medidas de intervenção. Por conseguinte, urge que o Poder Legislativo, impeça o avanço da padronização familiar e puna as pessoas que cometerem algum delito contra esses novos núcleos de família, por meio da tipificação desse crime como hediondo, assim garantindo, na prática, as diretrizes da Constituição Federal. Concomitantemente, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), mediante a palestras nas escolas, apresente para os estudantes a diversidade social atual, promovendo o respeito. Só assim, garantindo que o cenário retratado na série fique limitado à ficção.