O conceito de família no século XXI

Enviada em 06/03/2020

Pai e mãe, dois pais, duas mães, avós e netos, tios e sobrinhos. Esses são apenas alguns exemplos da “salada de frutas” que integra o conceito de família contemporânea. O mundo passou por transformações de ordem social e econômica fazendo com que o modelo de família tradicional, composta por um pai que era responsável pelo sustento da casa, por uma mãe que tinha como função cuidar do lar e pelos filhos que futuramente dariam continuidade a essa lógica social, fosse alterado dando origem a diversos arranjos familiares como se conhece hoje.

Essa mudança de estereótipo se deu, primeiramente, devido à transformação social pela qual a sociedade passou. No início do século passado, por exemplo, uma família homoafetiva não era algo nem sequer discutido, devido à mentalidade bastante regida pelos princípios religiosos. Hoje, apesar do reconhecimento legal desse tipo de família, a sociedade ainda não encara de forma natural, especialmente quando esse casal resolve ter filhos seja por meio de barriga de aluguel ou por meio da adoção, fazendo com que além do preconceito dirigido aos pais ou mães, as crianças também sejam afetadas por essa visão limitada do conceito de família.

Outro fator que provocou mudança nas famílias brasileiras foi o econômico. Anteriormente, a mulher era educada para ser uma boa esposa e mãe, enquanto o homem era o provedor do lar. Esse cenário gerava a dependência econômica da mulher que fazia do seu objetivo de vida realizar um bom casamento. Contudo, a conquista feminina do mercado de trabalho propiciou o surgimento de famílias nas quais a mulher é responsável economicamente por seus filhos, sem a ajuda de um marido. Esse tipo de família mesmo tendo se tornado cada vez mais comum, também é alvo de episódios preconceituosos. Um exemplo claro está na conotação pejorativa que se dá a expressão “mãe solteira”, quase como se essa característica fosse a lepra da contemporaneidade.

Desta forma, é inegável reconhecer que o estereótipo brasileiro de família é bastante diverso, contudo o desafio se encontra na aceitação da pluralidade do conceito de família. Sendo assim, para que essa barreira seja superada é necessário, em primeira ordem, que desde cedo as crianças, na escola, possam ser ensinadas sobre o conceito múltiplo de família de modo que elas cresçam livres do preconceito de que apenas o modelo tradicional é o certo. Além disso, se faz necessário a criação de leis que busquem proteger os diversos modelos de família dos episódios preconceituosos, por meio de penalidades severas que visem garantir o direito à igualdade plena. Ademais, a mídia também pode ser uma aliada da causa com a realização de programas que tragam especialistas que elucidem as implicações que atos preconceituosos contra os novos modelos podem acarretar.