O conceito de família no século XXI
Enviada em 10/04/2020
Inegavelmente, enfrentamos diversas dificuldades na hora de descrever o que realmente significa família. Sem perceber, acabamos por dar como definição o que fomos acostumados a ouvir, o que, não mais, se aplica a essa relação. Fato é que, o Brasil enfrenta dificuldades para consolidar a pluralidade familiar nos dias atuais, seja o culpado dessa problemática o padrão social que nos é imposto desde a infância ou o preconceito enraizado na sociedade que impede, muitas das vezes, nosso avanço. De todo modo, cabe à presente geração iniciar ações que, futuramente, resolverão o dilema.
Precipuamente, é válido destacarmos o papel fundamental da Igreja Católica, instituição fundada ainda no período Antigo e que apesar das perseguições aos seus ideais, conseguiu persistir até a atualidade. Esta, participou com veemência na modelagem de nossos pensamentos sobre diversos assuntos, sobretudo, na formação de uma família. Todavia, fomos habituados a seguir um padrão social que se empenha em limitar os membros da “família tradicional” e deixa de apresentar o verdadeiro significado da relação, o que, cada vez mais, faz com que seja necessário que quebremos essa ideologia que há tanto persiste na sociedade brasileira de que não pode haver pluralidade na formação familiar. Somos incapazes de notar os lados positivos de abandonar o velho costume, como por exemplo, os impactos que seriam gerados nos processos de adoção do país.
Posteriormente, é de suma importância citarmos que vivemos em um momento em que nossas relações sociais, nossos ideais e nossos costumes estão se modificando. O conceito de modernidade líquida explicado pelo sociólogo Zygmunt Bauman é espelho da sociedade brasileira contemporânea. Contudo, o preconceito enraizado em nossas tradições, herança de outras gerações, ainda permanece sólido suficiente para prejudicar o avanço intelectual da sociedade e não permite que abandonemos o pensamento de que existe apenas um modelo familiar, e toda forma adversa não poderia ser considerada família. Nosso país caminha a passos lentos para a mudança de pensamentos sendo que apenas em 2011 o Supremo Tribunal da Justiça reconheceu que a união homoafetiva tem os mesmos direitos que uma heteroafetiva, e pode, portanto, constituir uma família. É necessário abandonarmos uma ideologia preconceituosa para que o Brasil possa continuar seus avanços.
Por conseguinte, cabe ao Governo, juntamente à própria população brasileira, fazer com que seja aceita a pluralidade na formação do núcleo familiar. Seja através de novas leis que visem apoiar as mais diversas formas de se constituir uma família ou através de campanhas que instiguem a população a abandonar os velhos ideais, como por exemplo, aqueles que carregam grandes preconceitos sobre o assunto, para que, dessa forma, o país evolua social e intelectualmente.