O conceito de família no século XXI
Enviada em 29/04/2020
Segundo o Papa Bento XVI, “políticas que afetam a família, ameaçam a dignidade e o futuro da própria humanidade”. Nesse sentido, ao observar a problemática que envolve o conceito de família no século XXI, verifica-se a necessidade de adotar medidas interventivas capazes de reverter números como a quantidade de casos de preconceito contra a pluralidade familiar. Tal fato permite afirmar que a resolução de entraves referentes ao padrão patriarcal e conservador imposto e a discriminação contra casais LGBTQ’s possibilitará a formação de uma sociedade mais democrática.
Apesar de o filósofo Locke defender que “onde não há lei, não há liberdade”, a sociedade brasileira, somente por meio de sua Constituição Federal, não garante de fato a cidadania (prática de direitos e deveres de um Indivíduo). A razão para os entraves que permeiam a problemática em questão está na influência dos padrões patriarcais e conservadores até os dias atuais. Isso ocorre pois, as mulheres, desde sua infância, não recebem uma educação que promove o desenvolvimento de habilidades que visam sua autonomia pessoal, impossibilitando-a de ser, quando adulta, uma chefe de família ou provedora do sustento familiar. De acordo com o livro “A Mística Feminina”, de Betty Friedan, pessoas do gênero feminino são ensinadas a ser apenas zeladoras do lar, esposa e mãe, estimulando psicologicamente as mesmas constituírem famílias dentro dos padrões patriarcais.
Consequentemente, o resultado disso é o preconceito e discriminação sofrida pela família dita não tradicional, principalmente, contra os LGBTQ’s. A explicação para tanto está nas raízes conservadoras da sociedade do século XXI, onde pessoas homoafetivas não são consideradas dignas de compor um grupo social afetivo. Vale ressaltar que a falta de diálogo e informação estão diretamente ligados a esse acontecimentos, uma vez que promovem a ignorância. Tal fato se justifica em muitos indivíduos não procurarem compreender o conceito de família e se restringindo a conceitos inadequados e inconsistentes.
Portanto, é essencial buscar soluções para combater os padrões impostos e a discriminação, já que como diria Sartre: “o homem tem de se inventar todos os dias”. Inicialmente cabe ao Ministério das Cidades a tarefa de promover projetos, com profissionais da área educacional, nas comunidades que mostrem a importância da luta pelo fim do patriarcado e dos movimentos sociais feministas, a fim de diminuir a mistificação da pluralidade familiar. De modo complementar, o Poder Judiciário deve verificar a legalidade das leis que impõe a ética e liberdade, para garantir aos casais LGBTQ"s igualdade de tratamento perante a sociedade. Espera-se que, com ações desse tipo, esse entrave seja amenizado.