O conceito de família no século XXI
Enviada em 20/05/2020
A escritora Clarice Lispector retrata em seu livro “Laços de Família”, o qual é composto por treze contos centrados no aprisionamento dos indivíduos pelos laços familiares, estereótipos e preconceitos que persistem entre gerações. Nesse sentido, torna-se notório, no Brasil contemporâneo, a intolerância da sociedade mediante à ascensão de novas configurações familiares, o que é lamentável. Logo, é imperioso analisar o preconceito e o interesse dos indivíduos no que diz respeito à essa problemática. Em primeira análise, cabe destacar o preconceito no que tange às famílias modernas. Segundo o físico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Sob essa ótica, estereótipos sobre a construção familiar encontram-se enraizados na sociedade, haja visto que a Igreja Católica, grande influenciadora, defende o conceito de “família tradicional”, a qual deve ser composta por um pai, uma mãe e um filho. Entretanto, no Brasil hodierno, casais homoafetivos, os quais fogem deste conceito de “família tradicional”, são alvos de forte disseminação de ódio ao tentarem adotar seus filhos ou gerá-los por inseminação artificial. Assim, é evidente que as reflexões de Clarice Lispector, as quais remetem este preconceito, tornam-se presentes na atual conjuntura.
Além disso, vale ressaltar o interesse pessoal mediante os novos laços familiares. Em “A metamorfose”, Franz Kafka denuncia como os princípios de uma sociedade capitalista restringem os valores do ser humano aos bens que ele produz e às aparências. Paralelo à essa reflexão, é de se perceber, na sociedade contemporânea, que inúmeras famílias são construídas a partir de interesses econômicos em comum, sem levar em consideração os princípios de amor, respeito e fraternidade que devem unir uns aos outros. Dentro desse contexto, pode-se perceber que persiste no século XXI, o mesmo que ocorria no período realista do século XIX, em que diversos casamentos eram forjados por dinheiro e ambos os cônjuges almejavam ascensão social. Dessarte, diante dos fatos abordados, explicita-se o individualismo presente nos laços familiares modernos.
Portanto, é notório que ainda há, no Brasil contemporâneo, preconceitos e estereótipos mediante à ascensão de novas configurações familiares. Cabe, então, ao Governo Federal, órgão responsável por administrar todo o território nacional, investir em projetos sociais de conscientização, por meio de rádios, televisores e redes sociais, a fim de demonstrar a importância de respeitar e valorizar as diversas formações familiares. Desse modo, far-se-á presente uma sociedade menos preconceituosa e mais empática.