O conceito de família no século XXI
Enviada em 02/06/2020
As revoluções industriais possibilitaram a globalização em vários aspectos, sobretudo, econômica e cultural. Assim, as diversidades de pensamentos tornaram-se acessíveis e comuns nas sociedades contemporâneas, sugerindo, dessa forma, uma maior tolerância. Todavia, não é isso que acontece, pois países como Brasil, culturalmente patriarcal e que não valoriza o conhecimento, é frequente o desrespeito à pluralidade. Perante esse cenário, surgem os desafios de harmonizar o convívio coletivo ante as configurações atuais das famílias.
É importante salientar, a priori, a cultura social, paradoxalmente, como fator limitante da diversidade- gênero, religiosa, racial- que afeta a constituição das famílias contemporâneas. De fato, o Brasil, por exemplo, foi maldado ao logo dos séculos pela herança dos costumes da “sociedade do açúcar”, a qual consolidou o modelo patriarcal de família. Assim, esse choque entre tradição e multiplicidade familiar- recasamentos, uniões homoafetivas, paternidade ou maternidade socioafetivas- tem gerado, como afirmava o filósofo René Descartes, frequentes cenas de violência e intolerância, nascidas de preconceitos que querem se impor pela força, na ausência de questionamentos e, sobretudo, do exercício da razão.
Logo, diante do contexto social brasileiro e da análise de Descartes, é imprescindível a busca por soluções que respeitem a dignidade humana e o direito a vida das mais diversas configurações familiares. Com efeito, o filósofo René destaca bem a necessidade da reflexão e busca pelo conhecimento. Isso é fundamental para que os indivíduos reconheçam a pluralidade como parte da sociedade, tornando, dessa forma, os episódios de agressão e intolerância cada vez menos comum. Por essa razão, o papel do estado, garantia de igualdade de direitos, das mídias, debates sobre o tema, e da nação são importantes na promoção da equidade, pois segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 16% das famílias já têm formação não tradicional, enfatizando, assim, a necessidade de melhor compreendê-la.
Fica claro, portanto, a urgência da efetivação da tolerância nas mais diversas configurações sociais e familiares. Para isso, os Ministérios da Educação e justiça, devem elaborar projetos educacionais, aplicados em escolas e nas mídias, com a finalidade de debater temas sobre intolerância e diversidade cultural. Além disso, leis e procedimentos de fiscalização devem ser criados para punir atos que desrespeite direitos fundamentais. Dessa forma, usando a razão, é possível construir uma nação igualitária.