O conceito de família no século XXI

Enviada em 02/06/2020

Desde o século XVIII, com a Revolução industrial e, o século XX, com as Grandes Guerras Mundiais, as mulheres passaram por várias transformações, assim, modificando as relações de família, seja pela inserção feminina no mercado de trabalho, seja pelo surgimento da pílula anticoncepcional. Consequentemente, com o passar dos séculos, os núcleos familiares majoritariamente patriarcais vêm cedendo espaço para os vínculos monoparentais , unipessoais, compostos e homoafetivos. Contudo, as famílias que não seguem o antigo modelo tradicional não tem seu reconhecimento como tal. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém da imposição de um modelo familiar cristão, além da representação do modelo de família tradicional na política.

Vale ressaltar, a princípio, que a herança histórica da imposição de um modelo familiar cristão é um dos motivos do atual preconceito. Desse modo, levando em consideração que os padrões e ensinamentos cristãos são usados atualmente como justificativa para o preconceito com outros arranjos familiares , fica comprovado que, como afirmou Confúcio, é preciso estudar o passado para prever o futuro uma vez que foi na idade média, com o crescimento do cristianismo, que o modelo familiar cristão passou a ser determinado como único e superior.

Outrossim, desde de 2013, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei conhecido como Estatuto da Família, que visa limitar o conceito de família à união entre homem e mulher. Tais ações incentivam o preconceito na sociedade, validando pensamentos retrógrados, além de comprovar que essa persistência contra modelos familiares vai além de comentários desagradáveis, sendo levada até para dentro da política. Destarte, fica evidente a urgência de perceber que, como afirmou Oscar Wilde, definir-se é limitar-se.

Conforme o analisado, é inegável que ações devem ser realizadas para combater o preconceito acerca das novas configurações familiares no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), oferecer material didático que aborde de forma critica a formação da família, e os diferentes arranjos existentes, desconstruindo pensamentos atrasados, e conseguindo assim garantir a formação de uma futura geração mais aberta e tolerante. Por fim, cabe à sociedade pressionar os deputados a fim de reformular o Estatuto da família, garantindo igualdade de direitos para todas as configurações familiares, conseguindo dessa forma ultrapassar antigos preconceitos.