O conceito de família no século XXI
Enviada em 25/06/2020
A família é sem dúvida o agrupamento humano mais antigo da história. Suas características, seus componentes e até mesmo sua função são conceitos extremamente voláteis, o que indica uma forte influência da época sob a sua definição. Em 2013, a bancada evangélica criou um projeto de lei que restringe a entidade familiar a união heterossexual. Esse projeto demonstra uma visão estagnada do que vem a ser um núcleo familiar e demonstra a necessidade de defesa da diversidade desses arranjos.
É importante evidenciar, em um primeiro momento, a interligação entre as modificações sociais e as uniões familiares. De acordo com Friedrich Engels, a família é um reflexo do Estado e da cultura em que está inserida. Sob essa ótica, é compreensível o hábito da nobreza - com o surgimento dos Estados Modernos - de realizar casamentos que trouxessem benefícios econômicos e prestígio social, sendo a afeição entre as partes algo irrelevante. Atualmente, as conquistas sociais, especialmente as que se baseiam em um ideário de igualdade e de dignidade do ser humano, influenciaram o sistema e modificaram os interesses que mantém uma família unida, sendo agora os principais: o desenvolvimento pessoal e a felicidade.
Outro aspecto relevante é que, caso aprovada, a nova lei resultará em retrocessos sociais, uma vez que as pluralidades não serão reconhecidas por lei, gerando casos de intolerância. As novas formas familiares, como as monoparentais, as formadas por casais homossexuais, por adeptos do poliamor e outras diversas existentes permitem às crianças o exercício da tolerância e da aceitação do diferente. Essa conscientização natural será prejudicada se o Estado decidir que nem todos são iguais perante a lei.
Diante do exposto, é errôneo não reconhecer que a instituição familiar é algo em constante evolução que se reformula de acordo com as conquistas de cada época. Cabe, portanto, ao Estado zelar para que haja uma conscientização popular de que hoje é o sentimento de pertencimento o elemento criador de uma família. Para que isso aconteça, a Secretaria Especial de Comunicação Social deve criar campanhas televisivas e virtuais que abranjam a temática de maneira simples e direta, mostrando que independente das diferenças, o amor está presente em todos os arranjos, pois a instituição familiar não se desestruturou, apenas se reestruturou.