O conceito de família no século XXI
Enviada em 24/07/2020
O conceito de família no século XXI
Apesar de vivermos em um país com uma das maiores economias do mundo, não garantimos com isso a superação de velhos preconceitos, prova disso é a persistência de grande parte dos brasileiros em não aceitar as novas configurações familiares. Essa questão tem como impulsionadores a herança histórica de imposição da família cristã e a representação desse tipo de imposição na política, sendo necessárias intervenções a fim de resolver a questão.
Em primeira análise, é inegável que a herança histórica da imposição de um modelo familiar cristão (pai, mãe e filhos) é um dos motivos do atual preconceito. Apesar dessa configuração ainda ser maioria no País, ela não é inata ou melhor que outras. Foi na Idade Média, com o crescimento do Cristianismo, que esse modelo passou a ser imposto como único e superior, sendo mais tarde trazido com a colonização portuguesa para o Brasil. Levando em consideração que os padrões e ensinamentos cristãos são usados atualmente como justificativa para o preconceito com outros arranjos familiares, fica comprovado que, como afirmou Confúcio, é preciso estudar o passado para prever o futuro.
Ademais, outro fato agravante para o problema é a representação da imposição do modelo de família tradicional na política. Desde 2013, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei conhecido como Estatuto da Família, que visa limitar o conceito de família à união entre homem e mulher. Tais ações incentivam o preconceito na sociedade, validando pensamentos retrógrados e atitudes violentas, além de comprovar que essa persistência contra diferentes modelos familiares vai além de comentários desagradáveis, sendo levada até para dentro da política. Destarte, fica evidente a urgência de perceber que, como afirmou Oscar Wilde, definir-se é limitar-se.
Conforme o analisado, é inegável que ações devem ser realizadas para combater o preconceito contra as novas configurações familiares no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), oferecer material didático que aborde de forma critica a formação da família, e os diferentes arranjos existentes, desconstruindo pensamentos atrasados e preconceitos, e conseguindo assim garantir a formação de uma futura geração mais aberta e tolerante. Por fim, cabe à sociedade civil pressionar os deputados a fim de reformular o Estatuto da família, garantindo igualdade de direitos para todas as configurações familiares, conseguindo dessa forma ultrapassar antigos preconceitos.