O conceito de família no século XXI

Enviada em 30/07/2020

Família matrimonial. Família monoparental. Família anaparental. Família homoafetiva. Todos esses elementos constituem algumas combinações que configuram a família contemporânea brasileira, retratos de composição que evidenciam a ruptura de um modelo engessado e tradicional de concepção familiar, em que “pai, mãe e filhos” era difundido como modelo ideal. Hoje, diversos arranjos compõem a pluralidade familiar brasileira e, embora alguns direitos civis já tenham sido garantidos, ainda há muito a se fazer para que esses novos retratos de composição sejam reconhecidos pela sociedade. A configuração do mundo atual é marcada pela multipolaridade ideológica e saber conviver com o " diferente" é o grande desafio da nossa sociedade.

Em primeiro plano, é preciso ressaltar que o conservadorismo, ainda latente em boa parte da sociedade, contribui diretamente para dificultar a aceitação desses novos retratos de composição familiar. Isso porque, em virtude do processo histórico-cultural brasileiro, a figura do modelo tradicional de família foi amplamente valorizado nas últimas décadas por meio de valores culturais, religiosos, participação midiática e literatura. Contudo, família é um conceito que extrapola a visão de gêneros e endereços, está relacionado com afeto e um núcleo familiar que promova a formação do indivíduo. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família é o mecanismo primário de socialização. Nesse sentido, o núcleo familiar é primeira instituição responsável por incentivar valores  e práticas sociais para o convívio harmônico e não deve ser restringida à um modelo tradicional apenas.

Em segunda análise, convém avaliar ainda que grande parte dessas novas representações familiares são alvo de preconceito, intolerância e discurso de ódio, desdobrando-se em problemas psicológicos não só nos pais, mas também nos filhos,sejam eles adotivos ou não. Prova disso, inúmeros são os casos de violência física e simbólica que famílias homoafetivas são submetidas diariamente, além de episódios de bullying  e “cyberbullying” para com os filhos dessas configurações familiares não tradicionais. Dessa forma, a resistência ao reconhecimento desses núcleos familiares se intensifica.

Fica claro, portanto, que  há muito a se fazer a fim de promover uma maior aceitação da pluralidade familiar brasileira. Nessa perspectiva, as escolas, com o objetivo de conscientizar pais e alunos sobre os mais variados retratos de composição de família no Brasil, evidenciando a importância e o respeito à essas composições, devem apresentar e discutir esses mais variados tipos de famílias e suas configurações. Isso poderia ser feito por meio de palestras e debates com a participação da família, grêmios estudantis, Associação de Pais e Mestres e membros do Conselho Tutelar. Talvez assim, aos poucos, possamos erradicar esse preconceito enraizado em relação aos demais tipos de família.