O conceito de família no século XXI
Enviada em 01/10/2020
Monoparentais, homoafetivas, socioafetivas. São diversas as novas concepções de família no século XXI. Grandes avanços, como a legalização do casamento civil entre indivíduos homossexuais e o aprimoramento da forma de pensamento da população brasileira, permitiram que essas novas conformações familiares ganhassem visibilidade e, portanto, iniciassem um processo gradual de aceitação e respeito na sociedade. No entanto, ainda existem desafios a serem superados, tais como o machismo e a homofobia, que diariamente criticam e famílias não tradicionais, isto é, famílias não duais e heterossexuais.
Entre os avanços que possibilitaram uma maior tolerância quanto às novas formas de famílias, estão principalmente a regulamentação do casamento por pessoas do mesmo sexo, o reconhecimento da união de indivíduos LGBTQ+ como uma entidade familiar, além, também, do desenvolvimento de uma mentalidade menos preconceituosa sobre famílias monoparentais, de um só pai ou de uma só mãe, assim como socioafetivas, aquelas nos quais os membros não possuem nenhum vínculo genético, mas sim laços afetivos. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça aprovou uma nova resolução, de autoria do ministro Joaquim Barbosa, que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento. Uma vez previsto pela lei, o casamento homoafetivo significou uma vitória para a comunidade LGBTQ+, pois a representatividade e visibilidade atingida a partir dessa normatização possibilitariam a formação de famílias agora não mais vistas como imorais pelo jurismo.
Apesar desses progressos, muitos brasileiros ainda acreditam que uma família deveria ser composta por pai, mãe e filhos, e nada diferente disso. Esse tipo de pensamento, muitas vezes, pode levar a práticas explícitas de homofobia, no caso de casais LGBTQ+ e machismo, em caso de famílias monoparentais de uma só mãe. Aquelas que são socioafetivas podem ser até mesmo desmerecidas por não serem compostas por membros geneticamente familiares. Um exemplo desses casos de não tolerância é o Estatuto da Família, um claro retrocesso constitucional, que restringe a definição de família à união entre um homem e uma mulher, dando força a visões intolerantes. Além disso, tem-se a questão do olhar machista sobre famílias formadas por mãe solteiras. Mulheres que criam seus filhos sozinhas são comumente julgadas, pois ainda se faz presente a mentalidade que mãe solteiras são incapazes e necessitam de um homem para auxiliá-las. Essas formas de preconceitos, caso não superadas, podem gerar consequências a longo prazo na vida dessas famílias, que podem ir desde maus olhares em público até traumas na vida dos filhos, por exemplo.