O conceito de família no século XXI

Enviada em 14/12/2020

A Constituição Federal de 1988 assegura em seu artigo 226 que a família é base da sociedade e entende como entidade familiar “a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”, conforme explicita o parágrafo segundo do mesmo artigo. O fato da Carta Magna não expressar todos os possíveis arranjos familiares em sua definição de família, somado à insistência do patriarcalismo tradicional brasileiro, gera o preconceito contra outros tipos de entidades familiares que vêm crescendo continuamente na sociedade. Assim, é de suma importância discutir a respeito desse tema que envolve a organização brasileira.

Desde 1995 o modelo da família tradicional deixou de ser maiorira nos lares brasileiros, conforme aponta a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) de 2015, a qual revela que tal modelo  ocupava 42,3% dos lares no ano referido em contraste com dados de 1995 que mostram que a ocupação era de 58%. Ou seja, ao longo dos anos diversas concepções de famílias surgiram e tomaram parte na sociedade (relacionamentos homoafetivos, por exemplo, cresceram mais de 30%, de acordo com uma pesquisa do IBGE em 2014).

Além disso, desde que as mulheres conquistaram o direito ao trabalho e, portanto, passaram  a “chefiar” seus respectivos lares, aumentou sinificativamente o número de famílias formadas apenas por mães e filhos ou ainda com a presença de um padrasto, não esquecendo, é claro, os diversos formatos que envolvem crianças adotadas por pais solteiros ou divorciados. No entanto, apesar de tantas mudanças consideráveis e expressivas, a ala conservadora - aliada ao sentimento de que “o homem é chefe de família” e deve estar à frente desta - repudia os novos modelos e, por vezes, critica-os impondo que diante de uma criação não-cristã as crianças se perdem ou se confundem.

Em vista disso, é necessário que a tolerância seja ponto imprescindível diante dessa discussão. Admitir que outros modelos de família são possíveis questiona a solidez daquele que é visto como certo, conforme afirma o psicanalista Paulo Roberto Ceccarelli, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, daí o fato da tolerância se tornar inquestionável para que haja harmonia e respeito dentro de uma sociedade tão pluralizada quanto a brasileira. Ademais, é papel das escolas, por meio de palestras  e aulas, abordar temas diversos sobre a sociedade para que o indíviduo, enquanto criança, consiga se adaptar e pensar além de sua realidade, o que deve ser feito mediante orientação da família da criança e com o apoio do Ministério da Educação. Essa abordagem deve ser livre de estereótipos e respeitar os direitos de todos. Dessa forma, será possível a formação de uma sociedade consciente e respeitosa, tendo, portanto, inndivíduos igualmente mais livres de preconceitos.