O conceito de família no século XXI
Enviada em 01/12/2020
As dificuldade da nova configuração familiar brasileira
O conceito de família no século XXI não desprende-se da ideia que a sociedade brasileira carrega a herança patriarcal da sociedade europeia. O arranjo padrão de família, formada por homem, mulher e filhos, remete os fundamentos e crenças da igreja, sendo por muito tempo na sociedade moderna ocidental, parte integrante do Estado. Entretanto, o conceito familiar deve ser ampliado, frente as mudanças da sociedade apresentadas no século XXI, assim como descrito na música “Família” da banda Titãs: “Família, família…Cachorro, gato, galinha. Vive junto todo dia. Nunca perde essa mania”. Com o advento da sociedade, a palavra família é apenas um termo, sendo seu conceito ampliado a partir dos novos rearranjos encontrados na população. Dados do mais recente censo brasileiro mostra que a família tradicional (formada por pai, mãe e filho) já não é mais maioria na sociedade, 51% das famílias apresentam configuração diferente. Apesar desses números, O aumento dos casos de intolerância sexual e casos de discriminação contra casais homoafetivos em prédios e condomínios residenciais não são raros de serem vistos nos noticiários dos jornais. Devido à ideia de família padrão estar enraizada no imaginário da população, qualquer tentativa de mudança dos padrões, inseridos da sociedade patriarcal europeia, traz desconforto e muitas vezes acarreta uma ação violenta na tentativa de lidar com a diferença.
Adicionalmente, o aumento do número de deputados ligados à religião no Congresso Federal traz uma mistura de valores nas propostas de Leis. Observa-se um crescente número de projetos que visam a padronização da família brasileira e discriminar a família não padrão, acarretando prejuízos civis a esse nicho populacional. Os projetos visam agradar os eleitores desses deputados e são visto como uma sobreposição de valores e ideias sobre um grupo específico. Ações perigosas que podem gerar conflitos sociais e historicamente mostram o perigo de se segregar ou marginalizar determinados grupos sociais.
Embora, a sociedade ainda apresente pensamento retrógrado de conceito familiar, novas ações devem ser tomadas para minimizar seus efeito e a longo prazo mudar a própria sociedade. Assim como previsto na Constituição Federal de 1988, o Estado deve ser laico, sendo necessária maior participação do Supremo Federal. A atuação in loco no Congresso para avaliar os projetos propostos e fazer um pré-julgamento, poderia barrar ou alterar os projetos que atentem contra os direitos civis da sociedade. A maior participação da sociedade em projetos que valorizem o poliamor pode mudar sua percepção, mostrando que essas famílias não são ameaças, mas sim uma maneira mais inclusiva e integrativa da coletividade.