O conceito de família no século XXI
Enviada em 08/12/2020
No romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o quixotesco personagem, que dá título ao livro, cria algumas fantasias em relação à pátria, o que o conduz ao seu declínio após ser traído por seus ideais. Fora das páginas literárias, o preconceito enfrentado pelas famílias brasileiras, provavelmente, contribuiria para potencializar as decepções de Quaresma, seja pela discriminação social, seja pela negligência do Poder Público. Assim, faz-se necessário analisar os impactos de tal temática no país.
E importante ressaltar, em um primeiro plano, o estereótipo criado da ideia de família entre as causas da problemática. Embora a Constituição Federal, promulgada no Governo José Sarney, em 1988, tenha inovado na ampliação dos direitos civis, como da igualdade e da cidadania, os resultados ainda não são satisfatórios. Desse modo, evidencia-se que o preconceito da população acerca de um laço familiar composto por duas pessoas do mesmo sexo, tem como fator principal a idealização criada ao longo da história de tutores que possuem laços afetivos diferentes. Nesse viés, tal realidade contribui substancialmente para o aumento do impasse supramencionado no meio coletivo.
Paralelo a isso, vale também salientar a ineficiência do Estado como impulsionador do preconceito sofrido pelas famílias do Brasil. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio dela, a justiça e o equilíbrio sejam alcançados na sociedade. Contudo, na contemporaneidade, esse panorama é utópico, uma vez que a discriminação sofrida por tutores homossexuais no país vem crescendo de maneira significativa, de acordo com o jornal “o Globo”. Nesse sentido, o desamparo estatal em promover políticas públicas preservacionistas para atenuar o desrespeito para com a população, acarreta a exclusão social dessa classe no estado brasileiro.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas exequíveis para minimizar o preconceito sofrido pelas famílias no Brasil. Logo, é preciso que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação - entidade responsável pelo desenvolvimento educacional no país - disseminar campanhas socioeducativas, por meio de palestras na escolas, elucidando a importância do respeito com o próximo no meio coletivo, a fim de diminuir a discriminação gerada acerca de um laço familiar composto por duas pessoas do mesmo sexo, contribuindo, assim, para o modelo social idealizado por Quaresma.