O conceito de família no século XXI
Enviada em 02/12/2020
“Ohana quer dizer família e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer”. Essa é a frase que rege o clássico filme infantil “Lilo e Stitch”, o qual retrata uma família nada convencional formada por duas irmãs e seu bichinho de estimação. Em paralelo, é notável o crescimento da pluralidade de configurações familiares no século XXI que, assim como no filme infantil, são recheadas de amor e fraternidade. Infelizmente, contudo, ainda é latente o preconceito a uniões familiares não convencionais, gerando, com isso, uma triste estigmatização e exclusão social.
Nessa conjuntura, é cada vez mais comum encontrar famílias que fogem da tradicionalidade patriarcal instituída como a única forma correta durante séculos da história ocidental. Sob tal ótica, cabe fazer um paralelo histórico com os movimentos sociais que lutaram pela instituição do casamento civil homoafetivo e pela adoção de filhos por esses casais, os quais representaram um grande avanço pela representatividade e pluralidade familiar. A partir da luta desses movimentos, ficou claro que a configuração familiar tradicional entre homem, mulher e filhos não mais compreende a imensa diversidade do conceito de família. Dessa forma, a definição de família no século XXI se mostra muito mais ampla e maleável do que nos períodos anteriores da história.
Entretanto, mesmo com os avanços legislativos e sociais, o preconceito contra as novas definições de família ainda é latente. Nesse sentido, é possível afirmar que há uma intensa estigmatização social organizações familiares que diferem do tradicional, seguindo os preceitos do teórico Enving Goffman. Para o pensador, a sociedade tente a criar estigmas sociais depreciativos para todas as formas de existir que se configuram como fora dos padrões. Como exemplo desses estigmas têm-se a visão negativa e preconceituosa que o corpo social deposita sobre as famílias compostas por pais e mães solos e por casais homoafetivos, visão esta, permeada por discursos patriarcais e antiquados. Desse modo, diversas famílias no século XXI tem seu direito de existir ameado e criticado, levando a uma exclusão e a uma desvalidação sociais.
Portanto, para que todas as configurações familiares sejam respeitadas, a sociedade precisa reformular o conceito aceito de família. Para tanto, a mídia, em seu papel formador de opiniões, deve investir em programações que difundam a pluralidade do conceito de família. Isso deve ser feito por meio da introdução de famílias não convencionais nas novelas e nas produções cinematográficas, para que, assim, os estigmas sociais enraizados na sociedade sejam quebrados e a aceitação da diversidade familiar na sociedade seja ampliada. Com isso, as famílias do século XXI poderão livremente seguir o conceito definido pelo filme infantil “Lilo e Stitch”.