O conceito de família no século XXI

Enviada em 02/12/2020

Durante séculos o conceito de família restringiu-se ao casamento ou união estável entre homem com mulher e seus descendentes. Na contemporaneidade, essa definição tornou-se obsoleta, considerando-se as mais variadas configurações que uma família pode ter. Destarte, é importante considerar a influência que o Governo e a sociedade têm para os efeitos e o predomínio desse antigo conceito.

Em primeiro lugar, observa-se a retrógrada compreensão de família pela Lei Brasileira que perpetua esse arcaico entendimento. Haja vista que processos socialmente benéficos, como a adoção por casais LGBTs, são prejudicados, pelo fato da união homoafetiva não ser juridicamente reconhecida como uma instituição familiar pelo Estatuto da Família. No entanto, a prática adotiva por diferentes conjunturas parentais só traz benefícios, como confirma a Psicanalista Cristina Silva que diz “As crianças conseguem rapidamente aceitar as composições familiares diferentes da dela e captam que o fato mais relevante é o amor envolvido no núcleo.”

Não obstante, as mudanças na dinâmica social corroboram para que o entendimento tradicional a cerca de família seja modificado. Visto que, o ingresso da mulher no mercado de trabalho, a facilidade do divórcio, entre outras coisas foram alterando a forma como a sociedade é hoje, sendo necessário as leis do País acompanharem essas modificações. Prova disso, é que segundo o IBGE, menos de 50% da população brasileira se encaixa no conceito de família usualmente aceito pela Lei.

Fica claro, portanto, que o entendimento sobre família sofre forte influência governamental e da população. Cabe as instituições educacionais em parceria com o MEC, promoverem, através de palestras e oficinas de teatros, eventos que comportem a pluralidade familiar, a fim do público compreender a família como instituição social, sem o preconceito e exclusão por questão de gênero e orientação sexual. Desse modo, entenderemos que discutir com base em conceitos antigos não é apenas improdutivo, é um retrocesso.