O conceito de família no século XXI
Enviada em 04/12/2020
A família, na concepção espartana, era composta pelo pai, um guerreiro, a mãe, responsável por gerar filhos saudáveis, e o filho homem, que traria glória à família com suas guerras vitoriosas, e, apesar das crianças “defeituosas” serem mortas, as famílias eram consideradas fortes e saudáveis. Essa visão cruel era comum na Grécia Antiga, mas, felizmente hoje em dia é abominavél a idéia de matar crianças apenas por nascerem deficientes. Contudo, o conceito de família aceito no Brasil ainda é análogo ao espartano. O homem e a mulher, um casal heterossexual, é tido como modelo ideal para criar uma família, o que exclui todos os outros tipos de casais, como os da comunidade LGBTQ+, por exemplo. Essa concepção social é obviamente arcaica, mas continua aceita no país devido à falta de conhecimento sobre o tema e pelo preconceito contra os novos modelos familiares existentes.
Antes de tudo, é primordial ressaltar que a falta de conhecimento sobre os diversos tipos de famílias que existem atualmente, bem como as próprias minorias existentes no Brasil é por causa da falta de investimentos na educação para explicar de maneira adequada a respeito da questão. De maneira contraditória à frase do escritor Guimarães Rosa, “viver é plural.” Em que, é ilógico cogitar que em uma nação com tantas realidades, tantas vidas diferentes,apenas um estilo familiar seja o correto, enfim, é claro que dessa ignorância e falta de lógica surge um grande problema na nação, o preconceito
Em segundo plano, o preconceito surge como principal entrave para que os grupos fora “da norma” consigam possuir família e viver sua dignidade plenamente. Em oposição ao 5° artigo da Constituição Federal, o qual garante a isonomia para todos, a sociedade brasileira e o Estado se isentam da responsabilidade de contribuir para que os grupos LGBTQ+ e outros, possam acessar seus direitos previstos na Constituinte. Assim, perduram os casos de preconceito e intolerância contra as famílias modernas brasileiras.
Portanto, é necessário que o Estado, em parceria com as escolas, atue para solucionar o problema da discriminação contra as famílias dos mais diversos tipos, assim, a palavra família finalmente será sinônimo de amor e afeto. Para tal missão, é necessário que o Estado, especificamente o Executivo, órgão estatal que admistra todo o sistema, envie verbas com o intuito de capacitar os professores, com o intuito que esses tenham conhecimento adequado para ensinar aos alunos a respeito do tema, e, por meio de dinâmicas, palestras e amostras culturais, será possível a interação em prol da extinção de preconceitos e dos estereótipos que pairam sobre a situação. Evidentemente muitas medidas mais ainda precisam ser tomadas, porém, em concordância com Guimarães Rosa, " Quem elegeu a busca, não pode recusar a travessia…".