O conceito de família no século XXI
Enviada em 03/12/2020
“É que Narciso acha feio o que não é espelho”. O verso citado trata-se de um trecho da música Sampa, escrita por Caetano Veloso. Narciso, personagem de Caetano, é conhecido na filosofia por ter uma autoestima tão grande que nada externo o agradava. Análoga à mentalidade de Narciso é a de diversas pessoas na atualidade que possuem aversão ao diferente, inclusive não aceitam famílias homoafetivas. Assim, muitas relações que são baseadas em amor precisam lidar com preconceitos. Infelizmente, isso ocorre por diversos motivos, como a escassez na educação e a banalidade do mal.
Primeiramente, vale destacar que grande parte da população brasileira sempre conviveu em núcleos familiares formados por pessoas em relações heterossexuais ou por mães solteiras. Além disso, esses indivíduos nunca foram educados sobre a existência de vínculos entre homossexuais e sobre a necessidade de respeitá-los. Posto isso, no século XX, o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, afirmou: “A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para salvar o mundo”. Dessa maneira, fica evidente que ao usar a educação como uma ferramenta, será possível instruir os cidadãos sobre as diferentes relações que divergem-se das tradicionais e, com isso, haverá mais tolerância.
Em segundo lugar, é importante lembrar que, comumente, a sociedade banaliza atos preconceituosos que atrapalham a integridade das famílias do século XXI. Um exemplo disso foi o comitê criado por Eduardo Cunha no início de 2015 com o objetivo de constitucionalizar a afirmação de que apenas a família tradicional, composta por indivíduos heterossexuais, é válida. Com isso, é notório que se a população não reagisse, atitudes assim se tornariam comuns. Além disso, de acordo com o ativista estadunidense Martin Luther King, quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele. Logo, é perceptível que ao aceitar comissões, como a que foi criada pelo ex-deputado federal do Brasil, a população cooperará com as decisões de pessoas preconceituosas. Como consequência, mais uma vez, as famílias homoafetivas ficarão sob julgamentos incoerentes de outros cidadãos.
Portanto, a fim de garantir que o conceito de família no século XXI inclua todos os tipos de relacionamentos, a Secretaria da Educação deve assegurar que os cidadãos tenham conhecimento sobre as diferentes composições de famílias. Isso será possível por meio da criação de um projeto chamado “A inclusão e o amor”, nele os indivíduos aprenderão sobre a importância de respeitar relações que distinguem-se das tradicionais, para isso terão palestras e rodas de conversas para que, em uma ajuda mútua, todos os pensamentos sejam escutados com atenção e respeito. A partir disso a sociedade desejará assegurar a integridade de todas as famílias e lutará para que os atos de desrespeito não sejam banalizados. Assim, histórias como a de Narciso ficarão apenas na filosofia.