O conceito de família no século XXI

Enviada em 03/12/2020

O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade me virtude do medo de sair da sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao conceito de família no século XXI. Grande parte da população, ainda, tem dificuldade de lidar com as novas configurações familiares com realidades distintas e multiplicidade de amores. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema em virtude de questões socioculturais e e da falta de debate acerca do tema.

Convém ressaltar, a princípio, que a lenta mudança na mentalidade social é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, o conceito de família apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração. Uma vez que as pessoas crescem inseridas num contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também. Dessa forma, o convívio com indivíduos que apresentam configuração familiar diferente da tradicional, é dificuldade pelo preconceito, ocasionado pelo intolerância e pela dificuldade de aceitar a diversidade da sociedade.

Além disso, a falta de debate é uma barreira no que tange à questão do conceito de família no século XXI. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno da formação familiar. A tradicional família brasileira, formada por pai, mãe e filhos, perdeu espaço para a multiplicidade de configurações familiares. No entanto, tais configurações não são socialmente aceitas e a falta de diálogo massivo sobre esse tema contribui para a manutenção do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim, faz-se necessário que as prefeituras, em parceria com o Governo do Estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem sobre o conceito de família para jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Dessa forma, com a ampliação do debate, a população poderá observar a verdade e lidar melhor com as novas configurações familiares.