O conceito de família no século XXI
Enviada em 07/12/2020
A obra “O Pensador”, do escultor francês Auguste Rodin, apresenta um ser curvado em postura de profunda meditação acerca da realidade. Tal atitude reflexiva proposta por Rodin se contrapõe à postura da sociedade diante do conceito de família no século XXI, uma vez que é justamente a carência reflexiva que conserva o estereótipo familiar tradicional e gera preconceitos. Esse impasse tem como origem o conservadorismo que discrimina as plurais constituições de família. Assim, entre os fatores que comprovam essa vicissitude, estão não só a falha educacional, como também a falibilidade da lei.
A princípio, a falha educacional cristaliza a opressão contra famílias diferentes do modelo conservador. Isso ocorre porque o sistema de ensino valoriza o tecnicismo e o conservadorismo, de modo a ensinar conteúdos práticos para a formação de uma massa trabalhadora despreparada para o convívio social pacífico e incapaz de reconhecer as diversidades, discriminando as variadas formações familiares. Como consequência disso, a sociedade vive uma deturpação ética que projeta morais individuais na vida alheia, julgando o conceito de família moderno inequivocamente. Ilustra-se essa deturpação moral na música “Robocopy Gay”, do grupo Mamonas Assassinas, que satiriza o homossexual, exibindo-o como incapaz de constituir uma família.
Além disso, a falibilidade legislativa aprofunda o tradicionalismo que traduz núcleos familiares como inválidos. Isso advém da ineficiência executiva da legislação nacional, pois o cumprimento das leis é voltado para os interesses de minorias parlamentares, ao passo que garantias constitucionais do tecido social são desconsideradas pela inércia do executivo. Desse modo, a discrepância entre a Carta Federal e a sua execução prática corrobora o preconceito contra famílias compostas por minorias, como lésbicas e transexuais. Nesse sentido, comprova-se essa falibilidade da lei na discrepância entre o artigo 5 da Constituição de 1988 - o qual afirma que todos são iguais, sem distinção de qualquer natureza- e o Estatuto da Família que reconhece somente a visão tradicional de composição familiar.
Mediante o exposto, torna-se claro que o conservadorismo gera o desrespeito com pluralidades familiares no século XXI. Dessa maneira, é preciso que o Governo Federal desenvolva o Plano Nacional de Valorização Familiar. O Plano atuará a partir do Ministério da Educação, que deve elaborar uma mudança curricular, por meio do ensino de cidadania e ética, juntamente com sociologia, com aulas semanais- que utilizem textos e músicas interativas- em rodas de debate acerca de minorias e diversidade social e de gênero, a fim de mitigar o tecnicismo educacional. Ademais, o Plano deve contar com o trabalho do Ministério das Comunicações na elaboração de campanhas publicitárias acerca de tipos familiares, com o intuito de efetivar as leis e aprofundar a reflexão proposta por Rodin.