O conceito de família no século XXI
Enviada em 11/12/2020
A instituição familiar é o primeiro núcleo relacional que o ser humano faz parte. Historicamente, esse grupo tem uma função social bem delimitada: é nele onde os integrantes irão aprender sobre ética, moral, valores e convívio coletivo. Essa responsabilidade, atribuída à família é uma construção fundamentada nos moldes da sociedade patriarcal e heteronormativa. Assim, a ruptura paradigmática no conceito de família no século XXI acontece a passos curtos, em decorrência da propagação do padrão ideal de família, que provocou, ao longo dos anos, a marginalização das demais formas de organização.
Nesse sentido, aponta-se que essa marginalização é provocada pela discriminação e pela intolerância com a diversidade, reforçada no texto da Carta Magna Brasileira, ao reconhecer como entidade familiar àquela decorrente da união de um homem e uma mulher. Portanto, como forma de combate a diversos tipos de preconceito – ainda na década de 1960, quando o mundo vivenciava fortes abalos políticos, econômicos e sociais – os movimentos culturais se estabeleceram como importantes termômetros sobre a insatisfação popular. Têm-se, então, no contexto da contracultura, movimentos populares que defendiam o reconhecimento e a valorização das minorias e da heterogeneidade social, a exemplo da mobilização antirracista, do levante feminista e das lutas pelos ideais de gênero.
Além de debater os padrões de comportamento social, o movimento contracultura colocou em questão as instituições tradicionalistas, a exemplo da família. Esse questionamento, então, tem relação com a “Teoria do Pensamento Sistêmico”, elaborada por Fritjof Capra, ao apontar que o núcleo familiar é um sistema de interrelações, produto da sociedade e, para tanto, sofre modificação conceitual ao longo dos anos em função das influências e exigências sociais e culturais. Assim, como apresentado na série “Anne with an E”, ao retratar a história de uma família distante do convencional, compreende-se a possibilidade de constituição do núcleo familiar sistêmico para além dos laços se consanguinidade, fortalecendo as ligações afetivas construídas no seio comunitário.
Constata-se, portanto, a necessidade de desconstrução nos conceitos pré-estabelecidos sobre organização familiar. Assim, é relevante a atuação governamental, por meio do Poder Legislativo, na aprovação de leis que ampliem o conceito de família, beneficiando socialmente grande parte da população que se organiza de modo não tradicional. Além disso, a mídia, pela capacidade de propagar mensagens para a grande massa, pode veicular propagandas e momentos educativos nos canais de televisão, buscando a redução dos preconceitos e estimulando a tolerância e inclusão social de famílias homoafetivas, socioafetivas, reconstruídas, entre outras.