O conceito de família no século XXI

Enviada em 04/12/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante das diferentes formações familiares existentes. Com efeito, reestruturações educacionais e midiáticas são medidas impostas como necessárias para que o conceito de família no século XXI seja livre de preconceitos.

Inicialmente, é válido ressaltar a manutenção de antigos preceitos vigentes na comunidade escolar, como o ideal patriarcal. De acordo com a Pesquisa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa), o Brasil se encontra com a educação estagnada há quase uma década em comparação aos demais países. Desse modo, é possível constatar que o âmbito educacional brasileiro está anacrônico, isto é, o ensino em sala de aula não está acompanhando a evolução dos costumes na população hodierna. Por isso, é preciso que as escolas enfatizem em seus discursos de aprendizagem as revoluções ocorridas ao longo da História para que os conflitos não se repitam e, assim, os estudantes possam fazer a diferença em uma nação mais harmônica e inclusiva diante da formação de famílias, sejam essas formadas por pai e mãe, avós ou casais homossexuais.

Outrossim, é imprescindível mencionar o desencorajamento apresentado pela mídia a partir dos desenhos animados e programas de televisão, os quais, em sua maioria, não demonstram identificação da criança com o meio. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a violência simbólica, ou seja, a agressão com ausência de coerção física, apesar de oculta, é muito prejudicial ao psicológico do indivíduo. Dessa maneira, necessita-se reiterar a importância da representação de família para além da tradicional, a qual é constituída por pai e mãe, de forma a normalizar todas as formas de relação, pois a criança, ao assistir o desenho, por exemplo, pode se sentir excluída de um grupo por crer na existência única de uma família, a qual não faz parte e, assim, é interpretada como diferente, causando impactos negativos.

Portanto, evidenciam-se condutas importantes para que o conceito de família no mundo hodierno seja compreendido de forma a exceder os limites grupais padrões. Por conseguinte, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover a adição em currículo escolar do ensino às revoluções e ao impacto dessas manifestações na atualidade, de modo a compreender a existência das falácias generalizantes e de, então, não cometê-las, a fim de formar uma população com relações harmônicas e livre de preconceitos. Por fim, os estudantes, os quais presenciarão essa evolução no ensino, poderão ter potencial ativo na luta a favor da inclusão familiar.