O conceito de família no século XXI

Enviada em 05/12/2020

Desde o Iluminismo, sabe-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o modo intolerante que vem sendo tratado o conceito de família, em pleno século XXI, verifica-se que esse ideal iluminista é identificado na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse cenário, torna-se desafiador construir uma mentalidade tolerante no país, devido ao silenciamento do tema e ao preconceito estrutural, que colaboram para a mazela.

É importante pontuar, de início, que a falta de debate amplo sobre o tema é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, nas sociedades pós modernas, vários temas são silenciados para que pensamentos e costumes tradicionais sejam mantidos. Diante disso, verifica-se que o silenciamento nas discussões sobre o tema favorece os grupos sociais dominantes que, utilizando interpretações de textos sagrados e, até mesmo criando ideologias opressivas, manipulam as discussões na sociedade em busca da perpetuação de suas crenças e abafamento das minorias.

É fundamental destacar, ainda, o preconceito como impulsionador da resistência na aceitação das novas configurações de família. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito estrutural, enraizado na sociedade brasileira, pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança está inserida em um ambiente com esse tipo de comportamento, ela tende a adotá-lo, também, por conta da vivência em grupo, Assim, o fortalecimento desse tipo de preconceito, transmitido através de gerações, funciona como forte base para esse tipo de agressão.

Portanto, para buscar trabalhar os conceitos adequados de família, na contemporaneidade, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso  que os estados e municípios, em parceria com as escolas, promovam espaços para rodas de conversas sobre os conceitos de família ao longo da história e as lutas travadas para conquistar os direitos já adquiridos, por meio da mediação de historiadores e sociólogos - engajados com a problemática - a fim de quebrar o silenciamento em torno do tema. Tal ação deve ser extensiva aos pais e familiares do estudante - para que a escola cumpra assim o seu papel social - e acompanhar material impresso sobre os temas debatidos, ampliando ainda mais a discussão. Assim, ao trazer o tema à tona, em busca do senso crítico da população, será possível ultrapassar o preconceito como um fato social.