O conceito de família no século XXI
Enviada em 05/12/2020
Até meados de 2016 o significado de família em dicionários de renome, como o Houaiss, era dada por um grupo de pessoas que viviam sob um mesmo teto (especialmente o pai, a mãe e o filho), entretanto, com as mudanças do mundo hodierno, necessitou-se de uma ressignificação para essa definição, que ficou estabelecido como “um grupo social de pessoas unidas por laços afetivos”. Nessa perspectiva, há muitos debates sobre o conceito de família no século XXI, seja pela imposição de seguir-se um padrão, seja pela inoperância estatal.
Antes de tudo, é digna a menção da existência de uma cultura eurocêntrica representada por falsos moralistas, considerados “superiores” às pessoas que não seguem seus padrões, assim demoniza as novas formas de família, além de banalizar seus direitos, bem como a raça ariana fez com os ameríndios. Nesse sentido, de maneira análoga, vale ressaltar que com a chegada dos portugueses no Brasil, na colonização brasileira, os indígenas foram obrigados a deixarem sua cultura e identidade em segundo plano, cuja arbitrariedade dilacerou todo o conjunto de práticas desses povos. Esse cenário injusto e antidemocrático, representa, de maneira paralela, a realidade preconceituosa vivida pelos novos grupos familiares de uma sociedade que diz orgulha-se de uma miscigenação, à qual é marcada por imposição, manchas de sangue e gritos de socorro, que não foram ouvidos, seja por não haver interesse, seja por uma herança colonial que prega um padrão a ser seguido.
Outrossim, há a negligência do Estado, pois detém de uma legislação vanguardista, mas uma aplicação incipiente. É evidente a não execução dessas diretrizes, de modo a retirar todas as garantias de direito de ir e vir, segurança e respeito, visto que as novas concepções de família, como os casais homossexuais, monoparentais e eudemonista, sofrem agressões físicas, verbais e morais ao sairem de suas casas. Tal realidade, vergonhosa e escatológica, corrompe o arcabouço legal brasileiro – o qual afirma ser dever da União assegurar os direitos de isonomia, segurança e dignidade da pessoa humana -, pois é notória a não concretização de tais princípios, de forma a dificultar a coexistência pacífica da família tradicional com o novo modelo.
Diante desses impasses, é urgente a dissolução desse imbróglio. Dessa forma, é urgente o Ministério da Educação (MEC), implante nas escolas uma disciplina, desde a tenra idade, que debata sobre as transformações sociais, por meio de especialistas em Psicopedagogia e Sociologia, de modo que as gerações futuras cresçam com um pensamento crítico formado e respeitando todos as novas formas de família do século XXI, tendo como finalidade a construção de uma sociedade livre de padrões a serem seguidos e, ainda, com direitos a serem respeitados.