O conceito de família no século XXI
Enviada em 05/12/2020
No Brasil, a separação entre Igreja e Estado aconteceu em 1890, mas assim como no restante do mundo, mas ainda sim, sentimos o reflexo desta relação até hoje. Dessa forma, ainda os ideais da Igreja cercam diversas leis na Constituição e moldam o pensamento do brasileiro, que é relutante quanto as mudanças do conceito de família. Essa instituição tão importante para formação de um indivíduo tem sido severamente modificada ao longo dos anos, e é preciso que a população mantenha sua mente aberta, a fim de aceitar e compreender que esse conceito pode ir muito além do espectro tradicional, que abrange somente casais heterossexuais e seus filhos.
Segundo Heráclito, “nada é permanente, somente a mudança”, e quando olhamos para os lares e para a família brasileira, mesmo somente para aquelas mais heteronormativas e que seguem o padrão esperado, há uma enorme pluralização e diversidade entre seus costumes e valores. Ademais, hodiernamente, de acordo inclusive com o próprio Estatuto da Família, apenas 48,9% das famílias possuem a união tradicional, enquanto a maioria se encaixa em padrões diferentes da normatividade, o que corresponde somente a metade da população, e mesmo assim o preconceito e o julgamento inda se faz presente, mesmo após séculos de separação entre Igreja e Estado.
Na História, o papel da família sofreu por transformações de tempo em tempos, durante a Revolução Industrial por exemplo, os filhos não tinham mais função trabalhista, uma vez que estas abandonaram o campo e não precisavam da mão de obra, reduzindo os índices de natalidade. Quando se trata de mudança na atualidade, é necessário levar em conta, primordialmente, o fato de que a nossa Constituição tem lentamente se tornando menos retrógrada e tem mudado normas, como permitindo o casamento homoafeitvo e aceitado que estes sejam elegíveis para adotar crianças. Assim, muitas camadas antes invisíveis tem ganhado destaque, o que tem dado espaço para debates a respeito de o que, afinal, é o conceito de família, que tem deixado aos poucos de ser excludente, considerando também famílias que não seguem a lógica monogâmica e de filhos.
Portanto, devido aos argumento supracitados, é necessário que haja mais representatividade dentro das câmaras e do senado, a fim de que haja pessoas que possam dar voz aqueles que são silenciados e cujas famílias são desconsideradas, por meio de ações afirmativas como cotas, fiscalizadas pelo poder Legislativo. Além disso, é necessário que cada município, por meio dos vereadores, esteja criando leis mais severas contra a homofobia, a principal raiz da luta contra o “novo conceito de família”, a fim de que haja mais aceitação e todos possam viver livremente.