O conceito de família no século XXI
Enviada em 05/12/2020
Desde a formação da sociedade brasileira, no período colonial, constituiu-se a ideia de família baseada nos preceitos do patriarcalismo. Entretanto, hodiernamente, observa-se que isso está mudando, visto que há formações familiares que estão ganhando mais espaço, como as homossexuais, porém, elas ainda sofrem um forte preconceito. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um cenário desafiador, seja em virtude da lenta mudança na mentalidade social, seja pelo silenciamento.
A princípio, deve-se ressaltar que a forma de pensar dos indivíduos é um grande responsável pela complexidade do problema. De acordo com Émille Durkheim, os fatos sociais são uma maneira coletiva de pensar, dotados de coletividade, exterioridade e coercitividade. Nesse sentido, entende-se que, quando se cresce em um contexto intolerante, há uma tendência em se adotar esse mesmo comportamento. Desse modo, como a estrutura familiar padrão é algo que esteve presente historicamente no país, quando se tem algo que foge desse estereótipo, é visto logo com preconceitos.
Outrossim, a falta de debates é um outro ponto relevante nessa temática. Segundo o filósofo Michel Foucault, alguns temas são silenciados na sociedade para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse contexto, infere-se que há uma lacuna no que se refere às discussões em torno da questão das diferentes formações familiares no século XXI, já que é algo que tem sido negligenciado. Como consequência, essas pessoas são oprimidas e vítimas de muitos preconceitos. Sendo assim, é evidente que, sem um diálogo sério e massivo sobre o tema, sua resolução é impedida.
Portanto, indubitavelmente, medidas devem ser tomadas para alterar esse cenário. Faz-se necessário, pois, que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos desenvolva um projeto de lei a ser enviado para a Câmara dos Deputados. Nele deve-se constar que os veículos de mídia, como a televisão e as redes sociais, deverão realizar campanhas que serão feitas por meio de entrevistas com integrantes de famílias que não pertencem ao padrão estabelecido, como de homossexuais e as monoparentais, que deverão fazer relatos sobre suas experiências, sobre os preconceitos vividos e demonstrar que são uma família comum, assim como as tradicionais. Essa iniciativa deverá ser realizada com o intuito de promover uma ampla abordagem sobre o tema, a fim de conscientizar os cidadãos. Assim, acredita-se que o Brasil poderá superar a problemática.