O conceito de família no século XXI
Enviada em 15/12/2020
‘‘Papai, mamãe, titia’’. A letra da canção ‘‘Família’’ da banda brasileira Titãs, demonstra o conceito ultrapassado de entidade familiar, visto que há uma multiplicidade nos modelos familiares atuais. Entretanto, apesar da evolução desse conceito, famílias consideradas ‘‘fora dos padrões’’, a exemplo das homoafetivas, ainda sofrem preconceito. Diante disso, é necessário avaliar a causa e consequência desse fato: a discriminação por dogmas religiosos e a exclusão social dos indivíduos.
Primeiramente, é possível afirmar que o desrespeito às famílias homoafetivas tem influências do Cristianismo. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o homem nasce livre e, em toda parte, encontra-se acorrentado. De maneira análoga, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado, no Brasil, desde 2013, porém a discriminação e o preconceito das comunidades religiosas os impede de usufruir livremente de seus direitos. Prova disso, é que, apoiando-se em sua crenças religiosas, o deputado Anderson Ferreira propôs a criação de um Estatuto da Família, o qual nega o direito ao casamento e à adoção para os casais homossexuais. Por conseguinte, tais atos advindos dos representantes políticos influenciam a sociedade a gerar mais preconceitos.
Outrossim, é importante destacar os efeitos do preconceito na vida social dos integrantes de famílias homoafetivas. Devido ao patriarcalismo institucionalizado na sociedade brasileira e à falta de informação, as estruturas familiares que diferem do modelo ‘‘pai e mãe’’ são alvos de ataques em diversos âmbitos, inclusive o escolar. Sob esse viés, crianças e adolescentes adotados por casais homossexuais estão mais propensas a sofrer bullying e rejeição de seus colegas. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que exterminar a discriminação contra os novos modelos de família será um grande desafio ao governo brasileiro. Dessa forma, faz-se imprescindível que o MEC promova um maior respeito às diferenças, através de campanhas. Essas campanhas devem ser realizadas nas escolas, com a participação de sociólogos que incentivarão o debate em relação aos novos conceitos de família e sobre a importância de respeitá-los, independente das crenças religiosas. Com isso, a discriminação e o bullying, gerados pela desinformação e dogmas cristãos, poderão ser amenizados. Somente assim, será possível alcançar uma sociedade mais tolerante e livre de preconceitos.