O conceito de família no século XXI

Enviada em 14/12/2020

A série Black Mirror retrata uma distopia repleta de evoluções científicas que contrariam a harmonia social. Nesse sentido, fora da ficção, percebe-se que essas inovações podem repercutir problemáticas para a população porque salientam disparidades sociais e, devido à falta de conhecimento integral sobre o que é manuseado, acarretam o aparecimento de doenças relacionadas ao genoma humano. Diante disso, alternativas são nescessárias para superar esses entraves, visando conciliar o avanço da biotecnologia com a ética e afastar a realidade brasileira do futuro apresentado na série americana.

Em primeiro plano, os desafios para a implementação de uma realidade ainda mais tecnológica são oriundos, primordialmente, das divergências sociais inerentes ao Brasil, pois enfatizam problemas já existentes. Tal fato é atestado no filme “Gattaca”, em que se percebe o gravamento nas disparidades econômicas e acentuação de divisões de classe. Fato que ocorre porque, tendo em óptica uma sociedade sustentada pelos pilares de uma economia capitalista, enquanto algumas pessoas possuem a renda necessária para a realização de procedimentos inovadores frutos da biotecnologia, como melhoramentos genéticos, muitas não a tem, e são segregadas do restante da sociedade. Desse modo, é perceptível que o avanço científico sem alterações para fomentar a igualdade social na hodiernidade brasileira pode acarretar inúmeras consequências futuras e negativas para a humanidade.

Ademais, é preciso analisar que, com o decorrer dos anos, as evoluções científicas emergem em busca de melhorias para a comodidade do homem, como a implementação de técnicas medicinais e criação de aparelhos tecnológicos. No entanto, o manuseio e engenharia genética de embriões humanos visando a resolução de doenças de difíceis controles é, ainda, alvo de hesitação por parte da legislação brasileira, que proíbe o ato na Lei da Biosegurança. Percebe-se, assim, que a escassez de um entendimento integral acerca das modificações antrópicas no DNA fomenta o temor da possibilidade da criação de doenças hereditárias. Em síntese, a biotecnologia ultrapassa a ética quando coloca a vida humana em risco, evidenciando o posicionamento brasileiro contrário a essas intervenções genéticas.

Em suma, os desafios para a conciliação entre a ética e a biotecnologia precisam ser superados. Portanto, o Ministerio da Ciência deve promover  programas efetivos de incentivo à pesquisa, a partir de investimentos nos projetos, com a inclusão de bolsas direcionadas aos estudos referentes à manipulação do DNA humano, a fim de estimular a descoberta de caracteristicas pouco exploradas e minorar as consequências negativas do manuseio sem o conhecimento suficiente. Além disso, o Estado deve realizar campanhas empregativas e equidade no pagamento de impostos para a diminuição das desigualdades e,em consequência, aliar a biotecnologia à ética democrática no país.