O conceito de família no século XXI
Enviada em 07/12/2020
Desconfigurando o passado histórico brasileiro, bem como seus valores tradicionais, a hodiernidade coloca em evidência práticas que chocam-se contra costumes cultivados há séculos, mormente no que tange a perspectiva da formação familiar. Permeando a sociedade, delineiam-se configurações familiares diversas cuja existência tenta ser banida pelas parcelas conservadoras da nação, negligenciando sua validade e liberdade. Dessa maneira, visualizam-se atitudes intolerantes e opostas ao sistema político vigente em território nacional, uma república democrática e liberal, em tese.
A gênese do peso do conceito da família tradicional brasileira, esta composta por um pai, uma mãe e filhos, aponta para a engrenagem econômica da sociedade, visto que foi originado mediante laços objetivos de herança, nome e hierarquia, ou seja, de poder. Eclodido o capitalismo com suas possibilidades de mobilidade social, os laços supracitados transformaram-se em subjetivos, perdendo o significado anterior e permitindo a formação de famílias ímpares e pautadas pela afeição. Assim, compreende-se a evolução do conceito em questão.
Temendo perder poder social, a parcela conservadora da comunidade, da qual parte ainda é pautada por laços econômicos objetivos, cria impasses para a efetivação dos novos formatos familiares. Tais impasses contradizem a teoria da liberdade kantiana, para a qual o ser humano deveria ser livre para viver suas crenças em público, a fim de que possa desenvolver-se. Logo, delineia-se um cenário no qual a liberdade e um direito básico do indivíduo são restringidos e invalidados, o impedindo de sair da minoridade.
Destarte, medidas são necessárias para combater a problemática. É mister que os órgãos legislativos brasileiros legitimem todas as configurações familiares, a partir de leis que as tornem constitucionais, visando a corroborar os postulados kantianos e validar a liberdade de escolha e expressão de cada indivíduo. Outrossim, instituições propagandísticas e escolares devem sensibilizar a população, por intermédio de slogans e palestras, a fim de construir uma sociedade tolerante à diversidade e livre de preconceitos, a qual compreende a formação dessas famílias pautada por laços subjetivos de afeição e coloca em prática a democracia e o liberalismo vigentes no sistema político brasileiro.