O conceito de família no século XXI
Enviada em 08/12/2020
A estruturação da sociedade moderna se responsabilizou de confrontar determinadas convenções sociais impostas impetuosamente pelo conservadorismo europeu que mediante a sua influência mercantilista no século XVII possibilitou a configuração do exercício das relações pessoais á esfera do sistema coercitivo, determinando assim, o conceito de família. Sob tal perspectiva, tornou-se cultural, portanto, a inserção do nicho familiar composto por um homem e uma mulher, inviabilizando quaisquer demonstrações que “desconfigure” esta culturação. Dessa forma, as consequências do pensamento ocidental rotulam e restringem a definição de família, expressando-se de forma inadequada aos grupos homossexuais. Essa visão negativa colabora para o preconceito e a intolerância social.
Convém ressaltar, a princípio, que é evidente que as heranças sociais, econômicas, técnicas e educacionais contribuíram decisivamente para a tradicionalismo retrogrado da conjectura familiar - isto é, delineou as vertentes patriarcais de modo á legitima-las. Nesse ínterim, o sociólogo Pierre Boudieu elabora a teoria denominada “Poder simbólico” em que explicita que as relações de poder exteriores são programas para serem interiorizadas pelos cidadãos por meio de dicotomias, ou seja, separação de ideias reproduzidos por contrastes hierárquicos. A exemplo disso, cita-se a formulação do que é belo e feio, superior e inferior etc. Consoante a tal ideologia, ao retomar o pensamento supracitado na esfera familiar, observa-se sua validação, uma vez que é normalizado famílias cuja paternidade e maternidade são ocupadas, respectivamente pelo homem e a mulher, enquanto as que são ocupadas por homossexuais são taxadas de imorais, inferiores e feias.
Ademais, é fulcral destacar as consequências que se articulam á logica cognitiva das convenções sociais. Para isso, é importante discute as dificuldades encontradas pelos indivíduos do grupo LBTLQ+ que desejam construir um laço familiar. Aqueles cuja situação financeira é favorável, é viável, portanto, a adoção, inseminação artificial ou até mesmo a fecundação in vitro, tendo que lidar com uma burocracia menos irascível, enquanto aqueles que não desfrutam das mesmas condições se encontram aprisionados em jurisdição, intolerância cultural, preconceito social e sob tudo o desamparo governamental, que colabora pertinentemente á intempérie.
Depreende-se portanto, com a latente necessidade de desestruturar as convenções sociais que limitam a formulação da família moderna que pode e deve ser composta por quaisquer grupos sociais. Isso pode ocorrer por meio de projetos governamentais que conscientizem a população sobre a importância de tolerar com alteridade as decisões do outrem. Tais projetos podem ser viabilizados por debates em praças e congressos coletivos. Só assim será possível reformular o conceito de família.