O conceito de família no século XXI

Enviada em 15/12/2020

A série americana “Modern Family” retrata a história de três tipos diferentes de núcleos familiares: um casal homoafetivo que possui uma filha adotada, um casal heteroafetivo com filhos biológicos e um casal interracial que possui filhos fora do casamento, demonstrando que o conceito de família abrange uma pluralidade de relações. Todavia, para além da ficção, famílias que se distanciam da construção tradicional, no Brasil do século corrente, sofrem preconceitos devido à manutenção da estrutura patriarcal, e de uma tentativa errônea de homogenização da pátria. Assim, o país é colocado em uma posição retrógrada, se sustentando em um discurso de ódio, que fere a diversidade existente.

Diante de tal problemática, as famílias não convencionais sofrem com a manutenção da estrutura patriarcal, implementada desde a colônioa, e mantida justamente por favorecer socialmente seus adeptos. Logo, por obter uma posição hierárquica, a família tradicional (composta por um homem chefe de família, sua mulher e filhos) consolida-se no imaginário brasileiro, ocupando lugares de prestígios e notariedade, sobretudo no meio público. Consequentemente, a ofuscação das demais construções familiares é inevitável, e a sua não aceitação é utilizada como mecanismo para que sejam mantidas as estruturas de poder supracitadas.

Dessa forma, existe no Brasil uma tentativa de homogenização da nação, com o intuito de fortalecer as estruturas sociais presentes no país. Esse discurso, intensificado na era Vargas, perdura até os dias atuais com o debate acerca do patriotismo, que apoia-se justamente na manutenção do conceito tradicional de família. Por conseguinte, aquilo que destoa da maioria acaba sendo combatido de maneira de coercitivia, ilustrando o pensamento do sociológo Émile Durkheim, que afirma que a coesão social (necessária para a manutenção de uma nação) deve ser mantida a todo custo, utilizando o poder da coercitividade como ferramenta. Contudo, tal concepção abre espaço para intolerância, comprometendo a integridade e os direitos de grande parte dos brasileiros.

Urge, portanto, a necessidade de que a Secretaria da Cultura crie, por meio de um projeto de lei ( a ser votado pelo peder legislativo), um financiamento especial para filmes, séries e novelas ( a serem transmitidas na televisão aberta e nos cinemas), que retratem diferentes núcleos familiares, de modo a contribuir para a naturalização da pluralidade de famílias existentes, e para a quebra gradativa da concepção patriarcal rígida de homogenização. Destarte, os brasileiros irão assumir um discurso tolerante, que contribuirá para uma ampliação do conceito de família no imaginário popular, e para a coexistência desses núcleos sem uma tentativa de hirarquização, do mesmo modo que acontece em “Moderrn Family”.