O conceito de família no século XXI

Enviada em 11/12/2020

No desenho em quadrinhos do “Homem-Aranha”, é apresentado que o héroi adolescente perdeu os pais na infância e foi criado como um filho pelos seus tios.Logo, percebe-se que os novos e diversificados conceitos de famílias no século XXI,abordados no ramo fictício, também estão intrinsecamente ligados a realidade da sociedade brasileira. Todavia, há desafios para a aceitação desses modelos , seja pelas raízes de um passado conservador e intolerante, seja pela inobservância estatal.

Cabe pontuar, a priori, que a lenta mudança de mentalidade social é um dos entraves. Outrossim, consoante a perspectiva de Foucalt, é preciso mostrar às pessoas que elas são muito mais livres do que pensam para romper com pensamento errôneos construídos em outro momento histórico. Nesse ínterim, entende-se que para uma coletidade moderna, é inaceitável permanecer com concepções defasadas de um passado patriarcal, como o preconceito a casais homoafetivos ou grupos parentais sem o tradicional pai e mãe, mas constituídos pelos tios, irmãos ou avós; haja vista que tais ideias são opressoras e reforçam o ódio. Desse modo, medidas são indispensáveis para quebrar essa intolerância e permirtir a livre expressão e união de amor .

Por outro lado, vale ressaltar que o descaso governamental incita o preconceito e impede o progresso. Isso porque, segundo Montesquieu, o Estado tem como dever primordial garantir os direitos dos cidadãos e a harmonia coletiva, contudo, quanto este é omisso, há uma quebra do contrato social. Nesse contexto, compreende-se que, embora a Carta Magna permita o reconhecimento de família para além do casal hétero, o desdém das autoridades vigentes sobre o assunto em questão e até a negação por alguns, demonstram o descumprimento desses com seus deveres.Tendo em vista que, se os governantes não se impoem acerca dessa pauta ou não buscam um reconhecimento mais digno dos grupos como famílias, tão pouco o corpo social se mobilizará.Assim,ações urgentes são necessárias.

Infere-se, portanto, que o Executivo Federal via Ministério da Educação, deve instigar a discussão sobre os novos conceitos de famílias nas escolas (públias e privadas), por meio de aulas nas disciplinas de humanas e com auxílio de material didático (filmes que abordam diferentes grupos familiares ou livros), a fim de levar esse assunto aos lares e incitar a inclusão e o respeito entre as famílias. Ademais, é de extrema relevância que o Estado se posicione publicamente,por intermédio da televisão e da mídia, o qual afirme que reconhece como família os núcleos afetivos onde habite o amor e a tolerância entre os membros. Por conseguinte, mediante essas medidas, será possível alcançar a máxima de Foucalt e romper com o passado patriarcal e opressor.