O conceito de família no século XXI
Enviada em 10/12/2020
É possível observar no filme Procurando Nemo, a história de um peixe, pai solteiro, que ao sair de casa em busca de seu filho perdido, acaba encontrando várias outras espécies no meio de sua jornada que ressignificam seu conceito de família. Longe disso, no Brasil, a população também modifica, lentamente, sua noção tradicionalista de estrutura familiar. Este lento processo é consequência da ausência de políticas públicas no sistema de adoção brasileiro e também no amparo legislativo a casais homoafetivos.
Desde o ano de 2013, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou uma resolução, a qual exige que a união estável homoafetiva seja convertida em casamento por juízes. Apesar de ser uma conquista, a resolução tornou-se pauta e foi aprovada tardiamente, afinal casais heteroafetivos têm esse direito resguardado há centenas de anos.
Dessa forma, as composições familiares estão em mudança no país. No entanto, também de acordo com a CNJ, mais de 95% dos casais brasileiros não desejam adotar crianças com mais de 10 anos, as quais representam 83% do total de órfãos no Brasil. Isso, infelizmente, ainda representa um retrocesso na contemporaneidade, pois os indivíduos que querem adotar nem ao menos se propõem a conhecer jovens de diferentes idades.
Sendo assim, cabe ao sistema de Cadastro Nacional de Adoção, por meio de uma alteração nas fichas de inscrição de pessoas interessadas em adotar, a retirada da parte do questionário de adoção em que consta qual a preferência de idade da criança. Desse modo, promover-se-á uma maior possibilidade de que jovens de diferentes idades sejam adotados, o que propiciará ainda mais a diversidade no conceito de família no século XXI.