O conceito de família no século XXI
Enviada em 13/12/2020
Segundo a Constituição Federal família pode ser entendida como uma comunidade formada por qualquer um dos pais e seus descendentes. Contudo, na prática essa definição assume contornos bem específicos, visto que foi contruido um conceito conservador de família, isto é, aquela formada apenas pela mãe, pai e filhos. Nesse sentido, toda formação que não se encaixe nesse perfil é, muitas vezes, marginalizada. Nesse contexto, é válido observar como o individualismo e a falta de representação podem contribui para a manutenção dessa problemática.
Em vista disso, é importante compreender de que maneira a liquidez da sociedade contribui para a persistência desse estigma. Sob essa perspectiva, de acordo com a teoria da “Modernidade Líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman,o individualismo é uma das principais características das sociedades modernas e, consequentemente, a população tende a se incapaz de tolerar diferenças. Assim, no Brasil, essa dificuldade pode ser traduzida pelo preconceito enfrentado por aquelas pessoas que constituiram as chamadas “famílias modernas”, as quais envolvem apenas um dos cônjuges ou casais homosexuais. Logo, a melhor forma de resolve essa questão é desmitificado o individualismo.
Aliado a isso, a falta de representação também é uma forma de potencializa essa problemática. Sendo assim, na obra “Como a voz importa”, o sociólogo Nick couldry reflete sobre um dos principais problemas do mundo contemporâneo, a desigualdade da fala, isto é, da capacidade de expressão. Segundo ele existem inúmeras vozes que, por não serem ouvidas, acabam relegadas a inexistência. Dessa maneira, quem são essas vozes abafadas, se não dos indivíduos que fazem parte das “novas” famílias?. Assim, essas pessoas são esquecidas dos meios midiáticos e quando aparecem em propangadas são alvo de críticas, como o que ocorreu com a empresa Boticário, que no comercial do dia dos namorados trouxe um casal homoafetivo como um dos protagonistas e foi atacada por consumidores.
Portanto, a mídia- pois é o principal veículo de comunicação social- deve, por meio de campanhas, chamar a atenção da população para a necessidade de tolerar as diferenças o próximo, a fim de garantir o respeito a toda forma de família. Além disso, ao governo compete cobrar das empresas e diretores a representação igulitária de casais homosexuais e hetereos, por exemplo. Dessa maneira, será possível supera a desigualdade da fala, destacada por Nick.