O conceito de família no século XXI

Enviada em 15/12/2020

De acordo com Heráclito de Éfaso, “Nada é permanente, exceto a mudança”. Desse modo, podemos notar que o conceito de família no século XXI vive uma constante mudança, assunto que tomou bastante engajamento nos últimos tempos quando a lei do Estatuto da Família foi aprovada, legitimando como família a união de dois cidadãos de sexo oposto com união estável ou formada por um dos pais e seus descendentes. Dessa forma, é notório o retrocesso, no que tange ao respeito à diversidade e à aceitação de uma sociedade ainda patriarcal que demonstra descaso com a formação da família brasileira.

Em primeiro plano, evidencia-se que a aprovação da lei traz o reflexo de um padrão arcaico, sustentado em preconceitos e estigmas sociais, onde não reconhece como família modelos diferente do tradicional. Assim, como em tantos outros contextos, a sociedade se modifica para atender uma determinada tendência que, naturalmente, é debatida e encaminhada ao longo da evolução social, cabendo à sociedade decidir se tais mudanças são benéficas ou não. Diante dessa perspectiva, a participação popular é imprescindível para a visibilidade e combate à exclusão e marginalização das novas uniões, ao mostrar que é preciso compreender a família como instituição social livre de preconceitos e dogmas conservadores.

Em contrapartida, um novo projeto de lei, o Estatuto das Famílias, previa a mudança do conceito de família atual, para um conceito mais amplo e diversificado foi barrado no Congresso Nacional. Nesse sentido, há, de fato, aceitação de uma visão elitista advinda do descaso das autoridades com a formação da família brasileira. Por conseguinte, pode-se mencionar o aumento no numero de casais homoafetivos com a intenção de adoção, que de acordo com o IBGE subiu mais de 30%, porém, os mesmos encontram resistências políticas e sócias discriminatórias.

Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da intolerância em relação aos novos núcleos familiares em uma sociedade humanizada. Sendo assim, cabe ao Ministério da educação, por meio de um projeto escolar, convidar pais e alunos para palestras mensais e dinâmicas, onde serão debatidos temas de tolerância e respeito com o novo conceito de família., a fim de informar aos cidadãos sobre as diversidades sociais, diminuindo, assim, o preconceito e incentivando a inclusão dos diferentes laços familiares. Ademais, é preciso que a mídia com o papel de difundir informações, transmita em comerciais e programas de grandes audiências exemplos dos novos modelos familiares bem sucedidos. Dessa forma se torna possível a formação do pensamento respeitoso e consciente.