O conceito de família no século XXI

Enviada em 14/12/2020

Segundo o importante literato inglês, Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Nessa esteira de pensamento, podemos suscitar discussões sobre o conceito de família no século XXI, como tema que, apesar de ser um grande problema, muitas vezes invisibilizado no país, ele repercute em diversas áreas sociais. Ademais, essa problemática é de grande relevância não só para os órgãos competentes mas também para todo um corpo social, que, de algum modo, é afetado direta ou indiretamente por essa incômoda situação. Esse fato se dá pela violência simbólica exercida pela sociedade e pela falta de diálogo entre a população.

Ao analisar o cerne da questão, vê-se que o conceito de família tradicional - composta por um homem e uma mulher - comporta-se como uma chaga social. Esse aspecto pode ser percebido no preconceito gerado contra famílias homoafetivas, por exemplo, muitas dessas famílias são considerados inúteis e erradas pelo resto da sociedade. Conforme Pierre Bourdieu, a violação dos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, pois o desrespeito está sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade de um grupo social - é o que ele chama de opressão simbólica. Desse modo, observa-se a sociedade que julga e condena famílias que não são consideradas tradicionais excluindo-as da comunidade e exercendo violência simbólica.

Além disso, é preciso pensar que a omissão desses fatos pela sociedade e pelas instituições governamentais traz prejuízos para todo um corpo social. Conforme Habermas, o diálogo é o principal meio para a resolução de conflitos em uma sociedade. Dessa forma, a falta de comunicação que família não é constituída somente por duas pessoas do sexo oposto, mas sim por pessoas dispostas a educarem e cuidarem dos filhos da melhor forma independente do sexo infelizmente gera exclusão e preconceito.

Pela observação dos aspectos analisados, cabe à sociedade, como um conjunto de indivíduos que dividem determinado território e compartilham regras, criar novos paradigmas éticos acerca desse problema, por meio de mobilizações nas redes e palestras nas escolas, a fim de disseminar o respeito entre a população e diminuir essa incômoda situação vivida por famílias homoafetivas. Sendo assim, a fala de Huxley não mais fará sentido na sociedade brasileira