O conceito de família no século XXI
Enviada em 15/12/2020
Aristóteles, grande pensador grego, afirma que os indivíduos são seres os quais se materializam quando inseridos no convívio social. Sob essa perspectiva, é possível observar o desenvolvimento integral do cidadão no corpo social, tendo em vista os novos conceitos de família do século XXI. À vista disso, é certo que cabe analisar a importância do núcleo familiar para o meio social e os entraves associados ao preconceito com as famílias consideradas não convencionais, cabendo, assim, medidas para a desconstrução de uma realidade intolerante.
Evidencia-se, a princípio, que o núcleo familiar é o primeiro contato das crianças com a sociedade. Dentro desse ínterim, o célebre sociólogo Émile Durkheim reitera que a família é um corpo social ligado pela solidariedade, sendo uma instituição cuja importância estratégica é manter a organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos. Nesse sentido, a ordem familiar representa o funcionamento de determinada sociedade associada ao seu desenvolvimento. Desse modo, a aceitação dos novos modelos familiares colabora para a manutenção da coesão social, de forma que o núcleo familiar tem como função fundamental a conservação de uma boa convivência com o grupo ao qual pertence.
Outrossim, vale também ressaltar que conceitos enraizados historicamente são os principais responsáveis para a exclusão e para a inferiorização de novas famílias. Isso porque, é imposto à sociedade, como lúgubre herança histórica e cultural, um conjunto familiar composto apenas por um núcleo heterossexual, fazendo com que indivíduos que se contrapõem ao modelo tradicional sejam excluídos e marginalizados. Essa dinâmica social é mostrada, segundo dados do IBGE, pela dificuldade de casais homoafetivos em realizar a adoção de crianças e de adolescentes, na medida em que são alvos da intolerância.
Depreende-se, portanto, que o debate acerca do conceito de família é fulcral para o desenvolvimento da sociedade. Nesse âmbito, o Ministério da Educação deve, mediante amplo debate entre Estado, sociedade civil e profissionais especializados, lançar um projeto de reformulação da educação, devendo, por meio do desenvolvimento, em instituições de ensino, de debates engajados e de atividades lúdicas, explanar sobre as diferentes formas de composição da família uma vez que ações culturais coletivas têm vasto poder transformador, com o fito de mitigar visões preconcebidas sobre o núcleo familiar. Posto isso, poder-se-á reverter essa realidade.