O conceito de família no século XXI
Enviada em 15/12/2020
De acordo com o filósofo Gaston Bachelard: “o obstáculo epistemológico é a ideia que proíbe uma outra ideia”. Nesse contexto, os atuais núcleos familiares são rejeitados pela dificuldade do ser humano em perceber o novo. Isso ocorre não só pelo preconceito, mas também devido aos percalços inerentes ao convívio entre pessoas.
Observa-se que a intolerância pode vir mascarada de “manutenção da ordem”. De fato, regimes toatalitários como o nazista, objetivavam excluir as multiplicidades em nome do que eles nomeavam como superioridade da nação. Como consquência, milhares de judeus, entre outras minorias foram torturados.Tal pensamento limitante, se mantém em novas formas exclusão. É o que se vê no Estatudo da Família do deputado Anderson Ferreira, o qual visa reduzir o núcleo familiar a um casal hétero, e assim definir direitos como pensão e guarda dos filhos, por exemplo.
Outro fato que contribui para o deprezo pelas diferentes formações familiares é a crise nos relacionamentos em geral. Com efeito, o sociólogo Zigmund Bauman mostra que na sociedade contemporânea emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações. Basta observar a frequência com que ocorrem as trocas de parceiros e como isso afeta as crianças. Tudo isso gera isntabilidade e insegurança, já que as pessoas passam pela vida umas das outras sem permanência.
Portanto, por todos esses aspectos, a rejeição às diferenças deve ser tratada a fim de aumentar a coesão social. Dessa forma, o governo deve promover campanhas sobre aceitação da diversidade. Essa ação será realizada por meio de propaganda na televisão, nas quais, por exemplo, a ficção mostre modelos de famílias diversificadas em que a união e felicidade mútuas sejam a prioridade. Ainda, o Judiciário deve acelerar a aprovação das leis de proteção aos interesses das minorias a fim de amparar as famílias não tradicionais. Essas medidas têm a finalidade de impedir as hostilidades contra as famílias contemporâneas.