O conceito de família no século XXI

Enviada em 15/12/2020

Os clássicos comerciais de margarina são bem claros quanto ao conceito mais popular de família: um pai, uma mãe e um ou dois filhos. Entretanto, essas inofensivas propagandas, em alguma medida, excluem outros arranjos familiares que são muito comuns hoje em dia e igualmente importantes para a sociedade. Diante dessas novas instituições sociais, torna-se necessário refletir sobre o preconceito sofrido por elas e os perigos causados por esse sentimento deletério.

Primeiramente, deve-se observar que o preconceito é mais pujante contra famílias de casais homossexuais. É possível confirmar essa relação ao analisar os dados de uma pesquisa realizada pelo IBOPE em 2011: 55% dos brasileiros são contra a união estável entre gays e também contra a adoção de crianças por esses casais. Embora no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não conste nenhuma vedação a essa prática, a homoparentalidade encontra bastante dificuldade para se efetivar, devido à pressão social constante contra os casais homossexuais.

Além da diminuição nas chances de uma criança órfã ou abandonada encontrar um lar, optar por um conceito dogmático e restrito do que vem a ser uma família pode trazer diversos males para a sociedade. Entre eles está a intolerância, que se apresenta na forma de violência, e a segregação, que se manifesta no âmbito judicial como proibição do casamento civil entre gays. Por isso, é necessário desconstruir essa concepção que se tem sobre família, e, para isso, é válido recorrer ao pensamento do filósofo francês Voltaire: “Preconceito é opinião sem conhecimento”.

Com base no exposto, percebe-se a importância de se reconhecer novas formas de organização social, pois há beneficiamento de todos nisso. Dessa forma, instituições de assistência social e cidadãos bem informados devem buscar soluções no sentido de ampliar as significações alcançadas pela palavra “família” e, assim, promover o bem-estar na vida em sociedade.