O conceito de família no século XXI

Enviada em 15/12/2020

A série “Grey’s Anatomy”  retrata a vida de diversas famílias, entre elas a de um casal homoafetivo formado por Callie e Arizona, que vivem harmonicamente criando uma filha, mas que sofrem preconceitos homofóbicos. Fora da ficção essa é uma realidade de muitas famílias do Brasil, que não se encaixam nos padrões tradicionais da sociedade e por isso são vítimas constantes de discriminações. Diante disso, é fundamental analisar essa situação e a sua consequência para a sociedade.

Nesse contexto, o corpo social do Brasil ainda é intolerante e não aceita a diversidade das famílias do século XXI. Essa situação ocorre principalmente pela falta de entendimento da população sobre as famílias, já que o que realmente importa nelas é o amor e os laços afetivos, e a sociedade precisa se adequar às formações diferentes das tradicionais, que são uma realidade. Desse modo, com  os preconceitos diante das novas formas familiares, o Estado torna-se uma “instituição zumbi” - termo criado por Bauman, sociólogo polonês, para definir instituições que perdem as suas funções sociais, mas continuam existindo. Isso porque ele não cumpre o seu dever previsto no artigo 3° da Constituição Federal de oferecer para todos uma vida sem preconceitos..

Outrossim, esse cenário de intolerância tem como consequência a perda da qualidade de vida de diversas famílias brasileiras. Isso porque, de acordo com o artigo 226 da Constituição Federal, a família é a base da sociedade, e quando elas são discriminadas, privadas de praticarem atividades cotidianas, como passear em um parque, devido ao preconceito, elas não vivem bem. Esse cenário é extremamente prejudicial para o desenvolvimento integral das crianças, uma vez que de acordo com Durkheim, filósofo francês, a família é o primeiro mecanismo de socialização do homem, e para a efetivação de famílias equilibradas e saudáveis. Logo, com as novas configurações familiares e a multiplicidade de amores é fundamental o exercício da tolerância.

Portanto, tendo em vista a falta de entendimento de parte da sociedade perante o conceito de família do século XXI e os seus desdobramentos para a população, é impreterível que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promova o fim do preconceito contra as novas configurações familiares. Assim, isso deve ser feito por meio da criação de campanhas informativas sobre a importância do exercício da tolerância e da aceitação da diversidade. Nesse sentido, tudo isso deve ser realizado para que as famílias brasileiras possam viver bem, cumprindo o seu papel de ser base da sociedade, através do afeto e do amor.