O conceito de família no século XXI
Enviada em 16/12/2020
O filme estadunidense, “Os Irmãos Willoughby”, retrata a vida de quatro irmãos que são constantemente oprimidos e maltratados pelos seus pais biológicos. As crianças só encontram felicidade e amor em um lar adotivo. Fora da ficção, o conceito de família tem passado por mudanças. Tal conjuntura se dá por diversos fatores, dentre os quais se destacam a desconstrução acerca da estrutura familiar imposta pela sociedade e o reconhecimento da existência de outras formas de união. Logo, medidas que tragam características positivas para o tema são imprescindíveis.
Primordialmente, de acordo com o dicionário Houaiss, família é o núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo teto. Nesse sentido, embora a sociedade tente impor a concepção de família limitada a união entre um homem e uma mulher, o termo abrange outras formas de organização, que incluem desde monoparental, reconstituída e até unipessoal. Ignorar esses aspectos equivale a evidenciar os preconceitos existentes, além de contribuir para a exclusão social, com a justificativa de conservar o tradicional modelo de sociedade, que tem como pilar o patriarcalismo.
Não obstante, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 5,5 milhões de crianças não tem o nome do pai no registro. Dessa forma, determinar a estrutura ideal da família, como quis o Estatuto da Família de autoria do Deputado Anderson Ferreira, que se mostrou excludente com as demais uniões que não seja formadas por um casal heterossexual, significa dissipar a parcela da população que não tem a figura paterna presente e limitar as oportunidades que crianças em lares de adoção ou em situações problemáticas possam ter um lar. Assim, para reeinterar pensamentos tradicionalistas, a propensão é que o futuro de uma geração seja influenciado.
Portanto, mediante os fatos expostos, medidas são necessárias para resolver os impasses. O Ministério da Educação deve, em parceria com as escolas, desenvolver projetos que, por meio de palestras, discutam as diferentes vertentes que existem a partir do termo família. Além disso, urge que os veículos de comunicação passem a incluir, nos núcleos familiares, mais representatividade em suas campanhas e programas, abrangindo as várias formas de amor, de modo que todos se sintam inclusos e, assim, fazendo com que o primeiro passo para a equidade social e o respeito mútuo seja dado.