O conceito de família no século XXI
Enviada em 16/12/2020
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, quando se observa a realidade brasileira, verifica-se que a falta de informação e o preconceito relacionado às transformações que o conceito de família vem sofrendo no século XXI constituem um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Logo, convém analisar os aspectos educacionais relacionados a esse cenário nocivo, seus efeitos e os possíveis caminhos para revertê-lo.
Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que ampliem o conhecimento a respeito da diversidade de núcleos familiares e orientações sexuais. Nesse sentido, devido à uma herança sociocultural, muitas pessoas ainda preservam uma visão conservadora do conceito de família, a qual é tradicionalmente definida como um matrimônio entre um homem e uma mulher. Sob essa perspectiva, o educador Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. No entanto, situações atuais vão de encontro a esse ideal na medida em que jovens ainda crescem sem consciência da necessidade de igualdade e respeito às pluralidades familiares.
Ademais, há preocupantes problemáticas advindas desse contexto. Dentre elas, ocorre o preconceito às uniões homoafetivas e a outros núcleos que fogem do padrão tradicional, fato que resulta em isolamento e desvalorização desses grupos. Nesse contexto, segundo o sociólogo Émile Durkhein, a sociedade deveria funcionar de maneira análoga a um organismo biológico, no qual as partes interagem harmonicamente entre si. Entretanto, nota-se que o país ainda está distante dessa realidade, visto que o discurso de ódio impede a construção de um corpo social que se relacione de forma mais tolerante e justa.
Destarte, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de oficinas pedagógicas, discussões engajadas e palestras, possua como finalidade trazer mais lucidez sobre a diversidade de modelos familiares no século XXI. Esses eventos devem contemplar desde a educação básica até o ensino superior, contar com a presença de profissionais especialistas no assunto e é essencial que os responsáveis pelos estudantes sejam convidados a participar. Assim, essas medidas estarão em conformidade com o pensamento de Paulo Freire, que visa transformar a realidade brasileira por meio da educação.