O conceito de família no século XXI

Enviada em 16/12/2020

Desde o fim da Guerra Fria, que consolidou o capitalismo como potência mundial, novas relações sociais foram construídas e refletem diretamente no conceito de família na contemporaneidade ocidental. Entretanto, a descrição familiar, por vezes, é feita de maneira equivocada, excluindo diversos núcleos familiares que não se encaixam no “padrão”, e isso se deve principalmente a herança patriarcal e as várias alterações nas relações sociais advindas da liberdade de expressão na modernidade.

Em primeiro lugar, é imperioso salientar que a associação entre núcleo familiar e patriarcado remete à origem do termo “família”, oriundo do vocábulo latino famulus, que significa “escravo doméstico”. Esse conceito de união de indivíduos consolidou-se enquanto instituição na Roma Antiga, se tornando a base da formação de toda estrutura social da humanidade. Não obstante, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade “Pós-Moderna” é caracterizada pela perda dos valores culturais antes estabelecidos como os mais nobres e elevados, traduzindo-se na perda da identidade social atual. Os princípios modernos anteriores – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – têm sido redimensionados, ganhando novos contornos.

Paralelo a isso, é fulcral ressaltar que na segunda metade do século XX a família “hierárquica", organizada em torno do poder patriarcal, começou a ceder lugar a um modelo de família onde o poder é distribuído de forma mais igualitária: entre o homem e a mulher mas também, aos poucos, entre pais e filhos. Se o pátrio poder foi abalado, é de se supor que algum deslocamento tenha ocorrido do lado das mulheres – a começar pelo ingresso no mercado de trabalho, com a consequente emancipação financeira daquelas que durante tantas décadas foram dependentes do “chefe da família". Dessa maneira, a família desprivatizou-se, pois o núcleo central da família contemporânea foi implodido, não apenas frente aos homoafetivos, mas também às mães e pais solteiros, aos divorciados e aos poliamorosos os quais, por vezes, demonstram muito mais a conciliação e provam que, mesmo fora dos padrões, são capazes de cultivar amor e o respeito ao próximo.

Diante disso, é possível compreender que as novas instituições familiares não são menos válidas do que as tradicionais e certas atitudes devem ser tomadas para levar à sociedade mais informação sobre o assunto. Cabe primeiramente ao Ministério da Educação que insira em debates comunitários e seminários, nas escolas e universidades, o tema da diversidade familiar, com enfoque na tolerância e no respeito. Cabe também ao poder público atuar junto à mídia na disseminação de campanhas publicitárias que visem definir a família como um meio afetivo que independe de suas variedades, para que o amor, o respeito e a união possam ser a lei social que legitima as novas organizações familiares.