O conceito de família no século XXI
Enviada em 25/06/2021
Nos séculos anteriores ao XXI, a formação da família era constituída somente pela figura paterna e materna, em que se sobressaia a atuação do “macho alfa” de onde vinha os poderes sobre toda e qualquer ação conjunta. Entretanto, conforme os séculos avançaram, concomitante as relações sociais e pessoais se modificaram, de tal forma expressa, no conceito de família na contemporaneidade que se tornou relativo na visão de cada indíviduo. Com efeito, há de se remodelar, cada vez mais, a padronização tradicional e arcaica enraízada na população, como há de se validar, de fato, todos os tipos de relações e as consequente famílias atribuídas, emocionalmente, por cada grupo de pessoa.
Em verdade, a psicanalista Maria Rita Kehl, critica a usualidade indireta, e até involuntária, do que deve ser o tradicionalismo familiar, arraigado em um patriarcado que semeou e ocasionou tantos malefícios, estes que são vivenciados até os dias atuais. De acordo com a médica, essa padronização de duas figuras de sexo oposto, que devem viver um casamento tradicional, em que “tudo aguenta, tudo suporta”, se dissolve e reflete em todos os membros que compõe a família, especialmente nos filhos, que são altamente prejudicados e levam consigo trauma e a contínua disseminação de uma vida baseada em um conceito padronizado e tradicional, de maneira totalmente deturpada e negativa a longo prazo.
De outra parte, as relações interpessoais, atualmente, se mostram como uma resistência contra o preconceito. Nesse sentido, o advogado brasileiro Luís Roberto Barroso, autor da sustentação oral defende o fim da discriminação relacionada a todo tipo de união afetiva, que injustificadamente, são vistas pela sociedade de forma promíscua e inválida, refletida na constituição no que cerne a palavra família, tal qual deve-se fazer significativa na figura das uniões homoafetivas, nos laços não necessariamente sanguíneos, na paternidade e maternidade socioafetiva. Nesse viés, a quebra dos moldes cobrados pelo patriarcado em relação a representatividade familiar, se faz necessária para o fim da homofobia e para a valorização social de mães e pais solteiros.
Impende, pois, que o conceito de família no século XXI seja adaptado e relativizado entre todos os membros da sociedade. Para isso, faz-se necessário que ONG’s, como a Família Viva, dissemine e naturalize a existência de novos modelos familiares, por intermédio de campanhas, palestras e cartazes postos em escolas e locais públicos, que conscientizem desde as crianças aos idosos, sobre o respeito e a validação da autoidentificação de si e da constituição de família dentro da sociedade, independente de qualquer coisa. Essa iniciativa poderia se chamar “Reestruturando e ressignificando os lares” e teria a finalidade de promover empatia, valorização e liberdade de ser, de fato, família.