O conceito de família no século XXI
Enviada em 25/06/2021
Consoante à Sociologia, a família é caracterizada pela união entre diferentes pessoas emocionalmente próximas, as quais podem ou não estar interligadas por laços de consaguineidade.No entanto, no Brasil do século XXI, essa visão ampliada do conceito familiar é, ainda, motivo de diversos discursos de intolerância e de aversão por alguns grupos civis, fato que, infelizmente, é consequência da construção sociocultural brasileira pautada em movimentos discriminatórios e, também, devido a posições preconceituosas e antiquadas adotadas, não raro, pelo governo e seus atuais representantes.
De fato, o preconceito sofrido por diversas construções familiares, no país, é resultado direto da formação histórica alicerçada sob visões eurocêntricas e cristãs que, durante a colonização, impuseram um estilo de vida padronizado e estático.Partindo desse pressuposto, cita-se a História, visto que, segundo essa, durante os anos de dominação europeia em território brasileiro, houve intensa aculturação, movimento no qual os modos de vivência familiar africanos e indígenas - que admitiam a poligamia e a união homoafetiva - foram violentados e fortemente reprimidos pelas religiões e culturas europeias, as quais defendem que o conceito de núcleo familiar deve ser, apenas, regido pela heteronormatividade e pela constituição de filhos.Depreende-se, logo, que os movimentos de coerção sofridos por famílias que, hoje, diferem-se do conceito imposto durante os anos colonizadores são resultado da violência praticada por colonos que, agindo de forma etnocêntrica, exterminavam tais grupos, fortalecendo, assim, a violência praticada, lamentavelmente, até os dias hordiernos.
Além disso, cumpre ressaltar que as posições preconceituosas adotadas e defendidas pelo governo atual fortalecem a violência contra os diversos agrupamentos familiares, a exemplo daqueles formados por uniões homoafetivas e, também, pela criação de filhos por pais e por mães solos.Em face disso, cita-se os projetos de Lei que, contrariando o que defende a Sociologia, tentam enquadrar o conceito de família em uma visão homofóbica e discriminatória, visando a, sobretudo, excluir os milhares de grupos que, apesar de não se enquadrarem no conceito cristão e europeu, consideram-se como núcleos familiares que, resistindo a toda opressão e violência, multiplicam-se e se impõem.
Evidencia-se, então, que as as escolas brasileiras devem executar, anualmente, projetos que, regidos por sociólogos e por psicopedagogos, ampliem a visão sobre o conceito de família, por meio de debates elucidativos e de pesquisas empíricas em diferentes bairros, a fim de que sejam constituídos sujeitos conscientes das amplas configurações culturais e, sobretudo, libertos da opressão histórica nacional.Ademais, os grupos sociais devem pressionar os políticos a fim de que esses não adotem posturas excludentes e antiquadas, uma vez que essas enfraquecem as relações sociais de harmonia.